O Governo angolano e o consórcio liderado pela TotalEnergies iniciaram esta sexta-feira, 29 de Agosto, a fase de construção do projecto “Kaminho”, o primeiro desenvolvimento petrolífero em águas profundas da Bacia do Kwanza, assinalando uma nova etapa na exploração ‘offshore’ do País.

Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), os trabalhos arrancaram no estaleiro da Petromar, no município do Ambriz (província do Bengo), com a produção de mais de 5500 toneladas de estruturas metálicas destinadas aos pacotes FPSO (Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Descarregamento) e SURF (sistema submarino). No total, prevê-se mais de 1,2 milhão de horas de trabalho, asseguradas em 94% por mão-de-obra angolana qualificada.

O plano de fabrico inclui ainda 12 âncoras verticais de sucção, com 170 toneladas cada e 24 metros de altura, e um protector de linhas de fluxo para o FPSO, com 80 metros de comprimento.

A cerimónia do “primeiro corte de aço”, que simboliza o arranque oficial do projecto, foi presidida pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, que considerou o momento como “uma viragem para a indústria petrolífera angolana.”

“Este é o primeiro desenvolvimento ‘offshore’ da bacia do Kwanza, uma área que, apesar dos desafios passados, tem agora um futuro promissor. O ‘Kaminho’ traz um novo fôlego à bacia e, com certeza, incentivará novos investimentos em exploração”, afirmou o governante, sublinhando que o projecto está alinhado com a estratégia do Executivo para manter a produção nacional acima de um milhão de barris diários até 2027.

Produção e investimento

O projecto “Kaminho” prevê o desenvolvimento dos campos Cameia e Golfinho, situados a cerca de 100 quilómetros da costa de Angola, a uma profundidade de 1700 metros. Com uma produção estimada de 70 mil barris de petróleo por dia, o investimento global ascende a 384 mil milhões de meticais (6 mil milhões de dólares).

Segundo a TotalEnergies, o FPSO de Kaminho será de nova geração, com eficiência energética e capacidade para incorporar tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS) pós-combustão, evitando a emissão de cerca de oito milhões de toneladas de dióxido de carbono ao longo da sua vida útil.

O consórcio responsável pelo Bloco 20/11 é liderado pela TotalEnergies (40%), em parceria com a Petronas (40%) e a Sonangol (20%).

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