A australiana South32 confirmou nesta quarta-feira, 11 de Fevereiro, que apesar das tentativas do Governo para ultrapassar o diferendo, sobre as tarifas de energia, vai suspender, em Março, as actividades da fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, esta que é considerada a maior indústria moçambicana.

“Passará para o regime de manutenção e conservação em Março de 2026 devido à impossibilidade de garantir um fornecimento de energia eléctrica suficiente e acessível. Estamos a trabalhar em estreita colaboração com nossos funcionários e parceiros nessa transição”, afirmou Graham Kerr, director-executivo da South32, principal accionista da Mozal, após apresentar os resultados do grupo.

Citado numa pela Reuters, o responsável avançou que no ano passado, a South32 registou uma baixa de 372 milhões de dólares nos seus negócios, pois não conseguiu garantir fornecimento de energia a preços acessíveis, devido ao impacto da seca na usina hidroeléctrica de Moçambique, acrescentando também que não foi possível chegar a um acordo com preço razoável com a fornecedora de energia de reserva, a sul-africana, Eskom.

“Infelizmente a realidade é que ficaremos sem piche e coque na próxima semana, e mesmo que conseguíssemos um contrato de energia hoje, não seria possível entregar o fornecimento a tempo de manter a usina a funcionar. Portanto, caminhamos definitivamente para a fase de manutenção”, reiterou Graham Kerr, numa teleconferência sobre os resultados financeiros.

Segundo aquele director-executivo, em Moçambique, a mineradora emprega mais de duas mil pessoas directamente, outras duas mil terceirizadas, e a fábrica é responsável por um terço dos empregos no sector manufatureiro do País. “O custo de manutenção, incluindo rescisão de contratos, ronda nos 60 milhões de dólares e os custos anuais contínuos de manutenção e conservação nos cerca de cinco milhões de dólares”, recordou.

Esta semana, o Governo anunciou que está a desenvolver todos os esforços necessários para evitar o encerramento da fundição de alumínio Mozal. A garantia foi dada pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, durante declarações prestadas à margem de uma conferência sobre mineração e energia, realizada na cidade do Cabo, na África do Sul.

“Estamos a fazer tudo o que é requerido para que a Mozal continue em funcionamento”, afirmou o governante, sem detalhar o ponto em que se encontram as negociações com a empresa ou com os fornecedores de energia eléctrica.

A intervenção do ministro ocorreu num momento em que a South32 anunciou, anunciou em Dezembro de 2025, a colocação da fundição de alumínio em regime de “care and maintenance” a partir de 15 de Março de 2026, caso não seja assegurado um novo contrato de fornecimento de energia.

“Não foi garantido um novo acordo de fornecimento de energia eléctrica e, por isso, a Mozal será colocada em ‘care and maintenance’ por volta de 15 de Março de 2026”, referiu a empresa no documento enviado à comunicação social, acrescentando que “as matérias-primas necessárias para sustentar as operações para além de Março de 2026 não foram adquiridas.”

No ano passado, o Governo assegurou estar a acompanhar de perto a situação da Mozal, após o anúncio da suspensão das actividades, devido à inexistência de um novo acordo de fornecimento de energia eléctrica. Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, existe uma equipa técnica a trabalhar com a empresa e com as entidades envolvidas para evitar impactos negativos sobre os trabalhadores, fornecedores e demais partes interessadas.

“Há uma equipa que está a fazer o seu trabalho com a Mozal, com as entidades envolvidas, para garantir que o futuro da empresa não seja prejudicial a nenhuma das partes”, afirmou Inocêncio Impissa.

Sem adiantar detalhes sobre o estágio das negociações, Inocêncio Impissa esclareceu que qualquer decisão será tornada pública no momento oportuno. “Quando o resultado estiver efectivamente concluído, será anunciado através do Conselho de Ministros ou pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que está a acompanhar as questões substantivas com a Mozal”, explicou.

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