Cientistas do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, na Austrália, desenvolveram uma tecnologia de conversão de dióxido de carbono (CO₂) que promete ajudar a transformar emissões industriais em componentes para produzir combustível de aviação. A iniciativa tem como prioridade aproveitar os gases de escape e convertê-los em matérias-primas úteis. A abordagem propõe simplificar a reciclagem de CO₂ ao integrar, num único sistema, a captura e a conversão do gás para reduzir o consumo de energia e a complexidade operacional, dois dos principais entraves das soluções actualmente em desenvolvimento. Segundo o professor Tianyi Ma, um dos autores do estudo, a conversão de carbono tem sido, muitas vezes, tratada como um processo dividido em várias etapas, o que encarece os custos e dificulta os avanços tecnológicos. “As abordagens actuais têm sido, muitas vezes, ineficientes e intensivas em energia”, afirmou, ao acrescentar que a integração dos passos permite “simplificar o processo e reduzir perdas energéticas desnecessárias.” O sistema converte o dióxido de carbono, que está em gases de exaustão industrial, em “blocos químicos” básicos que podem ser utilizados para fabricar combustível de aviação e outros produtos hoje maioritariamente derivados de recursos fósseis. A tecnologia não produz directamente querosene de aviação: transforma o CO₂ em ingredientes que, depois, podem ser actualizados para combustíveis de baixas emissões e outros produtos à base de carbono, através de processos industriais já estabelecidos. A meta é desenvolver um sistema de demonstração de 100 quilowatts nos próximos cinco anos e atingir prontidão para escala comercial em cerca de seis anos, num percurso faseado, para testar o custo e a durabilidade Segundo o portal Zap Aeiou, a aviação continua a ser um dos sectores mais difíceis de descarbonizar, tanto que aeronaves a bateria dificilmente responderão, à escala, às rotas de longo curso, enquanto a procura por combustíveis sustentáveis de aviação continua acima da oferta global. Neste contexto, os autores apresentam a solução como complementar, uma via adicional para obter matérias-primas para combustíveis de menores emissões, especialmente perto de grandes fontes industriais onde é difícil reduzir as emissões. O estudo, publicado na Nature Energy, Federico Dattila, da Polytechnic University of Turin, na Itália, sublinha que os avanços aproximam a indústria de sistemas de baixo consumo energético, capazes de converter CO₂ num processo plenamente integrado. Para levar a tecnologia além do laboratório, a equipa desenvolveu e concluiu um protótipo de três quilowatts para testes num ambiente industrial e planeia avançar para um piloto de 20 quilowatts, com o objectivo de validar o desempenho e a integração com fontes reais de emissões. A meta é desenvolver um sistema de demonstração de 100 quilowatts nos próximos cinco anos e atingir prontidão para escala comercial em cerca de seis anos, num percurso faseado para testar o custo e a durabilidade.
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