Segundo os resultados do “Inquérito Trienal à Atividade nos Mercados de Câmbios e de Produtos Derivados de 2025”, divulgados hoje pelo Banco de Portugal (BdP), a contração do mercado de câmbios nacional “afetou cerca de um terço dos bancos participantes, incluindo vários dos mais relevantes neste mercado”. Os bancos inquiridos indicaram que o nível de transações observado em abril de 2025 “era consistente com o dos seis meses anteriores”. Quanto ao mercado português de derivados sobre taxas de juro, registou também uma diminuição, de 42%, nas transações diárias médias, passando de 0,41 mil milhões de dólares em abril de 2022 para 0,24 mil milhões de dólares em abril de 2025. De acordo com o BdP, o decréscimo destas transações verificou-se em mais de metade das entidades que reportaram derivados sobre taxas de juro. Coordenado pelo Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) e com a participação de vários bancos centrais e outras autoridades de 52 jurisdições, o inquérito incidiu sobre as operações transacionadas em balcão no mercado de câmbios (‘spot’, ‘outright forwards’, ‘foreign exchange swaps’, ‘currency swaps’, opções ‘over-the-counter’ — OTC e outros instrumentos relacionados) e no mercado de derivados sobre taxas de juro (‘forward rate agreement’s — FRA, ‘swaps’, opções OTC e outros instrumentos relacionados). Em Portugal, o inquérito incorporou a resposta de 39 bancos, sendo que os quatro maiores representavam cerca de 75% da atividade nestes mercados. As conclusões do trabalho apontam que, em abril de 2025, o valor de transações diárias médias no mercado de câmbios mundial cifrou-se em 9.510 mil milhões de dólares, o que representa um aumento de 27% relativamente aos 7.506 mil milhões registados em abril de 2022. Quanto ao mercado mundial de derivados sobre taxas de juro, transacionou diariamente, em média, 7.855 mil milhões de dólares, um incremento de 59% em relação a abril de 2022 (4.951 mil milhões de dólares). O BdP ressalva que, nesse mês, este mercado apresentava uma queda de 23% relativamente a 2019, sendo que, em 2025, “não só recuperou a perda observada há três anos, como superou o valor máximo registado em 2019”. Numa análise por instrumento, a contração das transações no mercado de câmbios em Portugal observou-se nos mercados ‘spot’, ‘outright forwards’ e ‘currency swaps’, com as transações nestes instrumentos a diminuírem relativamente a abril de 2022. Em contraste, aumentaram as transações em ‘FX swaps’ e em opções OTC. Tal como no mercado de câmbios mundial, os ‘FX swaps’ foram o produto mais negociado em Portugal, mas, ao contrário do que aconteceu no mercado mundial, o seu peso aumentou “de forma significativa”, passando de 49% em abril de 2022 para 68% em abril de 2025. Já os ‘outright forwards’ registaram uma queda expressiva, diminuindo de 25% para 8% no mesmo período. Em Portugal, o euro continuou a ser a moeda mais negociada, acima do dólar dos Estados Unidos, representando 88% do mercado (-1 ponto percentual face a abril de 2022). No mercado português de derivados sobre taxas de juro, por instrumento, as transações diárias médias de ‘swaps’ diminuíram 61% entre abril de 2022 e abril de 2025, sobretudo devido à queda nos contratos de ‘overnight index swaps’. Em contrapartida, o BdP dá conta de um “aumento significativo” do peso das opções OTC de taxa de juro, que passaram de 2% do mercado de derivados sobre taxas de juro em 2022 para 35% em 2025. Em Portugal, as operações de derivados de taxas de juro denominadas em euros representaram a quase totalidade do mercado (94%), tal como já tinha acontecido em 2022. Leia Também: Quer reclamar? Banco de Portugal revela em que situações pode ajudar

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