
Petróleo recupera de quedas, mas OPEP+ e “shutdown” nos EUA mantêm pressão
Os preços do petróleo estabilizam esta quarta-feira, depois de duas sessões consecutivas de fortes quedas, à medida que os investidores acompanham as discussões da OPEP+ sobre possíveis aumentos de produção e os impactos do “shutdown” do governo norte-americano.
A esta hora, o West Texas Intermediate (WTI), referência americana, avança 0,64% para 62,77 dólares por barril, enquanto o Brent, referência europeia, soma 0,62% para 66,44 dólares.
Na segunda e na terça-feira, tanto o Brent como o WTI registaram perdas acumuladas de cerca de 5%, a maior queda em dois dias desde agosto. O movimento reflete, segundo analistas, as perspetivas de maior oferta por parte da OPEP+.
O cartel e os seus aliados poderão discutir em novembro um aumento de até 500 mil barris por dia, o triplo da subida decidida para outubro. No entanto, a própria OPEP afirmou numa publicação na rede social X que os relatos sobre esse aumento eram “enganadores”.
Do lado da procura, os receios mantêm-se. O “shutdown” nos EUA, que paralisou parte das atividades governamentais, trouxe incerteza quanto ao impacto na economia e no consumo de energia. “O ‘shutdown’ adiciona ruído, sobretudo se atrasar a divulgação de dados, mas não altera a matemática de curto prazo de barris abundantes”, afirmou Charu Chanana, estratega-chefe da Saxo Markets, à Bloomberg.
Os investidores também analisam os últimos dados sobre inventários norte-americanos. O American Petroleum Institute estimou uma queda de 3,67 milhões de barris nos stocks de crude, mas, ao mesmo tempo, um aumento de 1,3 milhões nos de gasolina e de 3 milhões nos destilados. Para Sugandha Sachdeva, da SS WealthStreet, a desaceleração no ritmo de redução das reservas “tem limitado o otimismo dos investidores”.
Já na Ásia, os sinais de enfraquecimento industrial, especialmente na China, reforçam os receios de procura mais fraca, apesar da acumulação de reservas de crude por Pequim nos últimos meses.
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