
Petróleo no verde após pior perda anual desde 2020 O barril de petróleo arrancou 2026 em terreno positivo, depois de ter registado o seu pior ano desde o início da pandemia da covid-19. Os preços do crude estão a ser impulsionados por um aumento das tensões geopolíticas a nível mundial, depois de um ataque ucraniano a infraestrutura energética russa ter levantado de novo receios de disrupções no abastecimento da matéria-prima. A esta hora, o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – ganha 0,82% para os 57,89 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – soma 0,79% para os 61,33 dólares por barril. Os dois contratos registaram perdas anuais de quase 20% no ano passado, numa altura em que os investidores avaliam um possível excedente no mercado já em 2026. “Neste momento, estamos à espera de um ano bastante monótono para os preços do petróleo (Brent), com oscilações entre os 60 e os 65 dólares por barril”, antecipa Suvro Sarkar, analista de energia do DBS, à Reuters. “O primeiro trimestre será fundamentalmente fraco; o recrudescimento das tensões geopolíticas está apenas a registar-se como um pequeno solavanco nos mercados petrolíferos e a impulsionar algumas recuperações de curto prazo, mas é improvável que provoque movimentos significativos”, explica. Na quinta-feira, a Rússia e a Ucrânia trocaram acusações entre si em relação a alegados ataques contra civis no dia de Ano Novo. Kiev teve ainda a infraestrutura energética russa na mira, numa tentativa de cortar a principal fonte de financiamento de Moscovo para a guerra. Isto tudo acontece numa altura em que continuam as negociação para a paz na Ucrânia, mediadas pelos EUA. Ainda em foco estão as novas sanções introduzidas por Donald Trump, Presidente norte-americano, contra o petróleo venezuelano. Washington continua determinado a aumentar a pressão sobre o regime de Nicolas Maduro, isto depois de já ter aumentado a presença militar dos EUA perto da Venezuela e ter atacado várias embarcações venezuelanas acusadas de transportar droga. Maduro que diz-se pronto para dialogar com os EUA, inclusive sobre petróleo. “O Governo dos Estados Unidos sabe disso, porque já dissemos a muitos dos seus porta-vozes: se quiserem discutir seriamente um acordo para combater o narcotráfico, estamos prontos. Se quiserem petróleo da Venezuela, a Venezuela está pronta para os investimentos americanos, como aconteceu com a Chevron, quando quiserem, onde quiserem e como quiserem”, afirmou em entrevista emitida na estação televisiva pública VTV na quinta-feira à noite.
Painel