A ExxonMobil está prestes a levantar a “força maior” que travou o megaprojecto Rovuma LNG, na Área 4 da bacia do Rovuma, norte de Moçambique, após sinais de melhoria nas condições de segurança. A garantia foi dada pelo presidente-executivo da petrolífera norte-americana, Darren Woods, em entrevista à Bloomberg. Falando em São Paulo, no Brasil, à margem da 30.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), que vai acontece a partir deste dia 10 a 21 de Novembro na cidade de Belém, o responsável disse que a Decisão Final de Investimento (Final Investment Decision – FID, em inglês) deverá ocorrer “num futuro muito próximo”, permitindo que o projecto avance “rapidamente”. “Aproveitámos este tempo para aperfeiçoar o desenho do projecto e definir o melhor conceito possível. Assim que a ‘força maior’ for levantada, estaremos prontos para avançar com a decisão final e colocarmo-nos em marcha”, afirmou o CEO. A “força maior” foi declarada em 2021, após o ataque de insurgentes ligados ao Estado Islâmico à vila de Palma, em Cabo Delgado, o que levou à suspensão das operações da ExxonMobil e da TotalEnergies, que desenvolve um projecto semelhante na região. Ambas as companhias estão agora a preparar o regresso às actividades, sinalizando uma nova fase para o sector energético moçambicano. Os dois megaprojetos são considerados fundamentais para transformar a economia de Moçambique, com potencial para colocar o País entre os maiores exportadores de gás natural liquefeito (GNL) do mundo e garantir receitas significativas para o Estado durante as próximas décadas. Durante a entrevista, Woods sublinhou ainda que a ExxonMobil está focada em desenvolver recursos de baixo custo e em garantir o equilíbrio entre a transição energética e a crescente procura de gás e petróleo, prevendo que esses recursos continuem a desempenhar um papel relevante até 2050. O projecto Rovuma LNG, avaliado em 30 mil milhões de dólares (1,91 bilião de meticais), é liderado pela ExxonMobil, com a italiana Eni a comandar a componente flutuante (Coral Norte e Coral Sul). A Decisão Final de Investimento é aguardada para o início de 2026, sendo que a exportação do primeiro carregamento de gás está prevista para 2030. São concessionárias da Área 4 a Mozambique Rovuma Venture (MRV) SpA, uma joint venture co-propriedade da Eni, da ExxonMobil e da CNODC (70%), a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos EP (10%), a Galp Energia Rovuma BV (10%) e a KOGAS Moçambique Ltd. (10%). Moçambique tem três projectos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, todas localizadas ao largo da costa da província de Cabo Delgado. Um estudo da consultora Deloitte aponta que as vastas reservas de gás natural de Moçambique poderão gerar até 100 mil milhões de dólares em receitas até 2040, tornando o País um dos dez maiores produtores mundiais e responsável por 20% da produção africana de GNL.

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