O Executivo avançou que Moçambique vai consolidar hoje, quinta-feira, 2 de Outubro, a sua posição no sector global do gás natural liquefeito (GNL), com a assinatura da Decisão Final de Investimento (DFI) para o projecto Coral Norte, a segunda plataforma flutuante liderada pela petrolífera italiana Eni, localizada na Área 4 da bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. De acordo com uma nota emitida pela Presidência da República, o Governo está comprometido em promover investimentos estratégicos que contribuam para o crescimento económico sustentável e para a criação de oportunidades de emprego para os moçambicanos. A cerimónia oficial decorrerá em Maputo, no Montebelo Indy Village, e contará com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, e do CEO da Eni, Claudio Descalzi, da CEO da Eni em Moçambique, Marica Calabrese, bem como de outros membros do Governo e dos restantes parceiros do consórcio. Sob tutela do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, o projecto, operado pela Eni, será desenvolvido pelos parceiros da Área 4 da bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado, envolvendo a construção de uma plataforma flutuante para a extracção e liquefacção de gás natural (FLNG), semelhante à que a petrolífera italiana já opera na mesma área, no Coral Sul, desde 2022. O Projecto FLNG Coral Norte será operado pela Eni, em nome da Rovuma Mozambique Venture (MRV), um consórcio com 70% de interesse participativo, e de que também fazem parte a ExxonMobil e a China National Petroleum Corporation (CNPC), enquanto a ENH, a KOGAS e a Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) detêm 10%. Mais-valias para a economia moçambicana Em Abril, o Governo revelou esperar arrecadar 23 mil milhões de dólares em receitas, impostos e outras contribuições ao longo dos próximos 30 anos com o Coral Norte. A estimativa foi anunciada pelo porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, após aprovação do plano de desenvolvimento da nova unidade de exploração, que prevê a produção de 3,5 milhões de toneladas por ano e o arranque das operações para 2028. O projecto contempla ainda a disponibilização ao mercado interno de 25% do gás produzido, como estabelece a legislação nacional, bem como 100% do condensado para produção de energia em Moçambique, contribuindo directamente para a industrialização e autonomia energética do País. Coral Norte vai gerar mais de mil postos de trabalho directos Com um investimento total estimado em 7,2 mil milhões de dólares (460 mil milhões de meticais), o projecto Coral Norte criará 1400 postos de trabalho directos para moçambicanos. Segundo Impissa, está igualmente previsto um plano de sucessão que visa formar quadros nacionais e aumentar a qualificação da mão-de-obra no sector de petróleo e gás. O plano agora aprovado integra uma nova unidade FLNG (Floating Liquefied Natural Gas), semelhante à que opera desde 2022 na Área Coral Sul, também sob responsabilidade da Eni. Esta segunda plataforma incluirá seis poços de produção e a infra-estrutura de liquefacção flutuante instalada no alto-mar. Segundo fonte da Eni, os processos de aquisição de equipamentos, estudos de impacto ambiental e contratos de perfuração estão em curso desde 2023, em articulação com o Governo e os parceiros do consórcio da Área 4. O investimento reforça a presença de Moçambique no panorama energético global, particularmente no contexto da transição para fontes menos poluentes. De acordo com um estudo da consultora Deloitte, as reservas de gás natural liquefeito do País poderão gerar até 100 mil milhões de dólares em receitas ao longo das próximas décadas. O mesmo relatório projecta Moçambique como um dos dez maiores produtores mundiais de gás até 2040, podendo representar cerca de 20% da produção total africana. Previstas receitas de 100 mil milhões de dólares até 2040 A consultora Deloitte estima que as reservas de gás natural localizadas em Moçambique representem receitas potenciais de 100 mil milhões de dólares, destacando a importância internacional do País no processo da transição energética. “As vastas reservas de gás poderão fazer de Moçambique um dos dez maiores produtores mundiais, responsável por 20% da produção de África até 2040”, refere a consultora por meio de um relatório sobre as Perspectivas Energéticas de África. A Deloitte considera que, com base em medidas eficazes, Moçambique poderá tornar-se um centro energético da África Austral. “Deve haver um plano estratégico para cada fonte de energia, o desenvolvimento das cadeias de valor e indústrias locais ligadas às energias renováveis ​​e produtos associados, a atracção do sector privado, a promoção da liberalização económica e modificações ao quadro jurídico. O País precisa também de definir uma estratégia para navegar na descarbonização dos mercados globais e da sua própria economia”, defende o relatório.

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