O Presidente da República, Daniel Chapo, garantiu nesta segunda-feira, 22 de Setembro, que será lançado na primeira semana de Outubro deste ano, o projecto Coral Norte, a segunda plataforma flutuante de gás natural liquefeito (GNL) liderada pela petrolífera italiana Eni, localizada na Área 4 da bacia do Rovuma, província e Cabo Delgado, região Norte de Moçambique.
O anúncio foi feito em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América (EUA) durante a realização da Reunião da Aliança para a Energia Global que decorreu à margem da 80.ª sessão de Alto Nível da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
“Moçambique possui umas das maiores reservas de GNL do mundo, no momento, exportamos gás produzido pelo Coral Sul também liderado pela Eni e na primeira semana de Outubro iremos fazer o lançamento do Coral Norte. Existem também ao longo da bacia do Rovuma, projectos liderados pela TotalEnergies e pela norte-americana ExxonMobil”, descreveu o chefe do Estado citado pela Rádio Moçambique.
Em Abril, o Governo revelou que espera arrecadar 23 mil milhões de dólares em receitas, impostos e outras contribuições ao longo dos próximos 30 anos com o Coral Norte. A estimativa foi anunciada pelo porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, após aprovação do plano de desenvolvimento da nova unidade de exploração, que prevê a produção de 3,5 milhões de toneladas por ano e o arranque das operações para 2028.
O projecto contempla ainda a disponibilização de 25% do gás produzido ao mercado interno, como estabelece a legislação nacional, bem como 100% do condensado para produção de energia em Moçambique, contribuindo directamente para a industrialização e autonomia energética do País.
Com um investimento total estimado em 7,2 mil milhões de dólares (460 mil milhões de meticais), o projecto Coral Norte criará 1400 postos de trabalho directos para moçambicanos. Segundo Impissa, está igualmente previsto um plano de sucessão que visa formar quadros nacionais e aumentar a qualificação da mão-de-obra no sector de petróleo e gás.
O plano agora aprovado integra uma nova unidade FLNG (Floating Liquefied Natural Gas), semelhante à que opera desde 2022 na Área Coral Sul, também sob responsabilidade da Eni. Esta segunda plataforma incluirá seis poços de produção e a infra-estrutura de liquefacção flutuante instalada no alto mar.
Presidente da República, Daniel Chapo
Segundo fonte da Eni, os processos de aquisição de equipamentos, estudos de impacto ambiental e contratos de perfuração estão em curso desde 2023, em articulação com o Governo e os parceiros do consórcio da Área 4.
O investimento reforça a presença de Moçambique no panorama energético global, particularmente no contexto da transição para fontes menos poluentes. De acordo com um estudo da consultora Deloitte, as reservas de gás natural liquefeito do País poderão gerar até 100 mil milhões de dólares em receitas ao longo das próximas décadas.
O mesmo relatório projecta Moçambique como um dos dez maiores produtores mundiais de gás até 2040, podendo representar cerca de 20% da produção total africana.
Moçambique tem três projectos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, todas localizadas ao largo da costa da província de Cabo Delgado.
Dois desses projectos têm maior dimensão e prevêem canalizar o gás do fundo do mar para terra, arrefecendo-o numa fábrica para depois o exportar por via marítima em estado líquido.
“Moçambique possui umas das maiores reservas de GNL do mundo, no momento, exportamos gás produzido pelo Coral Sul também liderado pela Eni e na primeira semana de Outubro iremos fazer o lançamento do Coral Norte”
Um é liderado pela TotalEnergies (consórcio da Área 1) e as obras avançaram até à suspensão por tempo indeterminado, após o ataque armado a Palma, em Março de 2021, altura em que a energética francesa declarou que só retomaria os trabalhos quando a zona fosse segura. O outro é o investimento ainda sem anúncio à vista liderado pela ExxonMobil e Eni (consórcio da Área 4).
Um terceiro projecto concluído e de menor dimensão pertence também ao consórcio da Área 4 e consiste numa plataforma flutuante de captação e processamento de gás para exportação, directamente no mar, que arrancou em Novembro de 2022.
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