O director-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, anunciou que o projecto Mozambique LNG, em Cabo Delgado, poderá retomar as obras nos próximos meses, depois de mais de quatro anos de suspensão devido à violência armada. O gestor francês, que falava esta segunda-feira (29) em Nova Iorque, assegurou que a empresa e os seus parceiros já iniciaram a remobilização no terreno e que a produção de gás natural liquefeito poderá arrancar em 2029, segundo informou o portal Bloomberg. “Está tudo pronto. Na verdade, estamos a remobilizar-nos no terreno”, afirmou Pouyanné, sublinhando, no entanto, que ainda falta actualizar o orçamento e o plano de desenvolvimento, por forma a reflectir os custos acrescidos da paralisação decretada em Abril de 2021, altura em que a TotalEnergies declarou “força maior” após ataques armados no distrito de Palma. Com um investimento avaliado em cerca de 1,3 bilião de meticais (20 mil milhões de dólares), o Mozambique LNG é apontado como um dos maiores projectos de gás natural liquefeito em África, com capacidade inicial de 12,8 milhões de toneladas anuais. O empreendimento é considerado estratégico para a economia moçambicana, não apenas pelas potenciais receitas fiscais de milhares de milhões de dólares, mas também pela criação de milhares de empregos directos e indirectos. A retoma só foi possível graças à melhoria gradual da segurança em Cabo Delgado, resultado das operações conjuntas das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique com o apoio das tropas do Ruanda e da Missão Militar da SADC. Esse esforço tem permitido o regresso de comunidades deslocadas e a retoma de actividades económicas em zonas que estavam sob ameaça insurgente. O relançamento do Mozambique LNG junta-se ao Coral Sul FLNG, liderado pela ENI, que desde 2022 exporta gás a partir de uma plataforma flutuante no alto mar. Já a ExxonMobil mantém em carteira o projecto Rovuma LNG, ainda sem calendário definido. Juntos, estes investimentos poderão colocar Moçambique entre os maiores produtores de gás natural do mundo. Ainda assim, persistem dúvidas e críticas. Organizações da sociedade civil chamam a atenção para os impactos sociais do reassentamento de comunidades e para os riscos ambientais da exploração de gás em larga escala. Em resposta, a TotalEnergies tem financiado projectos locais nas áreas de educação, saúde e emprego juvenil, procurando reforçar a sua presença como parceira do desenvolvimento regional. Patrick Pouyanné deixou claro que “as operações avançarão rapidamente”, mas frisou que o cronograma final dependerá da aprovação conjunta entre o consórcio e o Governo moçambicano, que terá de validar o plano de desenvolvimento actualizado.

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