a d v e r t i s e m e n tA ArcelorMittal África do Sul (AMSA) anunciou o encerramento da produção de aço longo na sua fábrica de Newcastle e colocou a maior parte das suas instalações em regime de manutenção, após utilizar integralmente os 1,683 mil milhões de rands (96,4 milhões de dólares) disponibilizados pelo Industrial Development Corporation (IDC). O financiamento havia sido concedido para adiar o encerramento das operações.

De acordo com um comunicado de aviso à bolsa (Sens) consultado pela Moneyweb, a empresa informou que continuará a comercializar o seu stock remanescente. O anúncio surge num momento em que a companhia mantém negociações com o IDC sobre uma possível operação de resgate.

“As conversações para explorar soluções alternativas continuam. Mais anúncios serão feitos sobre estas questões quando apropriado”, declarou a empresa no documento.

A AMSA havia anunciado em Janeiro de 2025 a intenção de encerrar a produção de aço longo nas fábricas de Newcastle e Vereeniging, devido aos elevados custos energéticos e logísticos, à concorrência desleal das importações chinesas e à falta de apoio político adequado.

O encerramento foi adiado várias vezes, com o IDC a oferecer em Abril um empréstimo reembolsável de 1,683 mil milhões de rands, complementado por cerca de 400 milhões de rands (22,9 milhões de dólares) do Fundo de Seguro de Desemprego para pagamento de salários.

O financiamento foi totalmente utilizado até Julho, embora a empresa continue a procurar formas de viabilizar as suas unidades de produção de aço longo a longo prazo.

Relatórios anuais da empresa mostram um declínio constante na procura de aço na África do Sul, que caiu cerca de 20% nos últimos sete anos.

Enquanto uma fábrica fecha, outra abre

Paralelamente, foi anunciado o desenvolvimento de uma nova siderúrgica chinesa de 2,5 mil milhões de rands (143,2 milhões de dólares), financiada pela Chung Fung Metal, em Nigel, Gauteng. A fábrica deverá produzir 600 mil toneladas de aço longo por ano e empregar 1200 trabalhadores quando estiver em plena operação.

A necessidade desta nova fábrica chinesa é vista com cepticismo, tendo em conta a queda na procura interna de aço. No entanto, a sua localização próxima aos corredores de transporte para o porto de Durban sugere que as exportações serão um componente essencial do seu modelo de negócios.

Os investimentos na cadeia de valor do aço continuam limitados pela instabilidade energética, pela incerteza regulatória e pelas práticas de dumping (exportação de produtos para outro país a um preço inferior ao praticado no mercado doméstico), principalmente vindas da China.

O encerramento das fábricas de aço longo ameaça cerca de 3500 empregos

Em entrevista ao Moneyweb, o secretário-geral do Instituto Sul-Africano de Ferro e Aço, Charles Dednam, afirmou que o consumo total de aço do país deverá atingir 4,4 milhões de toneladas este ano, sendo 2,8 milhões provenientes de fábricas locais e o restante de importações. A capacidade instalada nacional é de cerca de dez milhões de toneladas, o que deixa uma grande capacidade ociosa.

“Assim, abrir uma nova unidade de produção de aço no país não faz muito sentido, considerando a capacidade existente”, declarou Dednam, acrescentando que “seria mais lógico optimizar e racionalizar as capacidades actuais – uma solução mais barata e eficaz do que construir novas fábricas.”

Perda de empregos

O Sindicato Nacional dos Metalúrgicos da África do Sul (NUMSA) contestou o processo de demissão em massa (previsto na Secção 189 da Lei das Relações Laborais) concluído em Março de 2025. O Tribunal do Trabalho ordenou a suspensão das demissões até que as consultas sejam finalizadas e determinou a reintegração dos trabalhadores despedidos.

O encerramento das fábricas de aço longo ameaça cerca de 3500 empregos. A AMSA já apresentou um pedido de recurso contra a decisão judicial.

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