Angola quer ligar as suas principais infra-estruturas com ferrovias para facilitar o comércio dentro do país e com os vizinhos na região, afirmou nesta quarta-feira (22) em Genebra, Suíça, o ministro dos Transportes angolano, Ricardo Viegas d´Abreu.

“No que diz respeito ao comércio em particular, no plano director definimos como integrar estas grandes infra-estruturas (portos, caminhos-de-ferro, aeroportos e estradas) e permitir a sua expansão, não apenas dentro do país, mas também ligando-as aos países vizinhos”, referiu o ministro angolano, numa mesa-redonda na 16.ª Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD16).

Angola tem uma linha costeira de 1600 quilómetros e os três principais portos – Luanda, Lobito e Namibe – estão ligados por caminhos-de-ferro.a d v e r t i s e m e n t

Segundo o ministro, o plano do Governo angolano é estender a ligação ferroviária aos países vizinhos, como acontece com o Corredor de Lobito, no centro, que já está em funcionamento e liga o sul da República Democrática do Congo e o noroeste da Zâmbia.

Para a concretização dos planos, acrescentou, “Angola quer investimento do sector privado para expandir o Corredor do Lobito” – que pode no futuro ligar a costa do Atlântico ao Índico – e onde já criaram um agência composta pelos três países envolvidos para facilitar o transporte, o movimento de mercadorias e a logística.

O Presidente de Angola, João Lourenço, inaugurou uma nova infra-estrutura portuária no Namibe, no sul do país. De acordo com Ricardo d´Abreu, o Governo “vai lançar nas próximas semanas um concurso internacional para a concessão da infra-estrutura, que está ligada à ferrovia”, e onde querem promover a ideia de estender o corredor aos países vizinhos, como a Namíbia e a Zâmbia.

O desafio para Angola, de acordo com o ministro dos Transportes, é a forma como o país conseguirá “promover a integração dos corredores” e “garantir o investimento necessário para o fazer.”

Na próxima semana, Angola vai participar num fórum, no Ruanda, para discutir como os países africanos “podem reduzir o défice de infra-estruturas, que actualmente limita a capacidade do comércio intra-africano e acarreta custos logísticos muito elevados em todo o continente”, avançou o governante, acrescentando que “o comércio intra-africano representa apenas 3% do total do comércio no continente.”

O ministro angolano mencionou também que, além da ligação entre as principais linhas ferroviárias, o plano é “a digitalização, essencial para acelerar processos e facilitar o comércio, e (…) a sustentabilidade associada (à construção e manutenção de ferrovias).”

A 16.ª sessão da UNCTAD decorre até quinta-feira (23), em Genebra, Suíça, com o tema “Moldar o futuro: impulsionar a transformação económica para um desenvolvimento equitativo, inclusivo e sustentável”.

Fonte: Lusa

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