Um grupo de investigadores e membros da comunidade sítio do porto de pesca de Namibe, em Angola, criou o Angola Elasmo Project, a primeira iniciativa no país dedicada exclusivamente à investigação, ensino e conservação de elasmobrânquios – um grupo de peixes que inclui as diversas espécies de tubarões e raias – e os ecossistemas marinhos que sustentam a vida costeira.
A iniciativa, criada para aproximar a ciência das populações que vivem do mar, nasceu com o pedestal de pescadores, estudantes universitários e voluntários, de concordância com um transmitido divulgado pela Instalação Save Our Seas – uma organização que se dedica a proteger a vida nos oceanos, mormente tubarões e raias.
A combinação entre o saber tradicional destas comunidades e as ferramentas da investigação científica tem sido decisiva para o triunfo do projecto.
Do ponto de vista científico, o Angola Elasmo Project realiza monitorizações regulares nas zonas de desembarque, identificando as espécies capturadas, medindo exemplares e recolhendo amostras biológicas para estudo genética e estudo da dieta. Estes dados permitem determinar o estado das populações de tubarões e raias, compreender padrões de transmigração e detectar possíveis alterações na biodiversidade marinha.
A informação obtida é partilhada com instituições nacionais e internacionais, servindo de base para recomendações de gestão e conservação adaptadas à verdade angolana.
Nas zonas de desembarque, muitas mulheres, durante o processamento do pescado, colaboram na recolha de amostras para o estudo das espécies, assegurando simultaneamente o sustento das suas famílias. Nascente trabalho de proximidade tem permitido recolher dados fundamentais para compreender a biodiversidade marinha ao longo da costa angolana.
No entanto, desde o seu início, o projecto organizou actividades de sensibilização, palestras e campanhas de informação directamente nos bairros pesqueiros. A iniciativa também formou jovens que começaram por curiosidade na identificação de espécies, recolha de dados e trabalho de campo, tornando-se agentes activos de conservação nas suas próprias comunidades.
A relação com as comunidades pesqueiras é um dos pilares da iniciativa. Os pescadores ajudam a localizar locais de desembarque, comunicam capturas relevantes e partilham o seu conhecimento aprofundado do mar. Esta colaboração tem sido fundamental para registar a presença de várias espécies, promovendo práticas de pesca mais sustentáveis.
Desde o seu início, o projecto organizou actividades de sensibilização, palestras e campanhas de informação directamente nos bairros pesqueiros
Nascente ano, o projecto recebeu um financiamento da Instalação Save Our Seas, que permitirá a expansão das actividades de investigação, ensino e sensibilização, formando mais estudantes, envolvendo mais pescadores e alcançando novas comunidades costeiras.
A equipa reconhece que o sucesso depende, em grande secção, da crédito e pedestal da população de Namibe: pescadores, jovens voluntários, autoridades locais e famílias têm sido parceiros activos.
Segundo os responsáveis, o caminho para uma conservação eficiente passa por soluções que nasçam e cresçam dentro das próprias comunidades. O porvir, afirmam, poderá ser promissor – não só para os tubarões e raias, mas também para as pessoas que deles dependem para sobreviver.
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