Angola arrecadou, no terceiro trimestre deste ano, 6,2 mil milhões de dólares com a exportação de petróleo bruto, uma diminuição de 22,24% comparativamente ao período homólogo de 2024, divulgou nesta quinta-feira, 23 de Outubro, o Governo. De acordo com a Lusa, os dados sobre as exportações de petróleo bruto e gás no terceiro trimestre deste ano, divulgados pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, dão conta que o país exportou cerca de 91 milhões de barris de petróleo, representando uma diminuição de 10,91%, comparativamente ao terceiro trimestre de 2024. O secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Barroso, destacou que houve, comparativamente ao segundo trimestre de 2025, um aumento, quer no volume exportado de 7,19%, quer no valor arrecadado de 9,25%, relativamente ao segundo trimestre.advertisement Em declarações à imprensa, o governante frisou que vários desafios marcaram o último trimestre, nomeadamente questões geopolíticas e de mercado, que influenciaram a indústria petrolífera angolana, por exemplo, o preço de venda. “Como notámos agora no terceiro trimestre, tivemos, infelizmente, uma tendência de queda do preço, um preço médio de cerca de 69 dólares, inferior ao trimestre passado, mas, no geral, as coisas têm avançado”, disse. José Barroso admitiu que o preço baixo terá influência nas receitas que o país conta receber para este ano, “mas há situações que podem levar a uma reversão da situação”, perspectivando melhorias e um “mercado mais estável”, com a assinatura de acordos entre Israel e o Hamas. “Mas infelizmente existem grandes stocks de petróleo. Temos agora a possibilidade de ter acesso a mais crude asiático, do Irão e de outros países, e isto poderá levar a uma queda maior do preço do recurso, mas, em termos de produção nacional, continuamos alinhados com o objectivo de produzir em média mais de um milhão de barris por dia”, destacou. Para o quarto trimestre do ano, Barroso adiantou que, primeiro, “é preciso perceber o que vai realmente acontecer em Gaza” e na Ucrânia e as decisões que a Organização dos Países Exportadores do Petróleo e Aliados (OPEP+) poderá tomar, que decidiu neste momento aumentar os níveis de produção. “Acreditamos que hoje a oferta é maior do que a procura, mas as coisas poderão mudar, tudo vai depender da estabilidade política que tivermos nos próximos tempos”, salientou. José Barroso frisou que o declínio da produção é o principal problema da indústria petrolífera angolana, que vai perdendo produção “todos os dias devido à maturidade dos campos”, mas o Governo tem lançado novos projectos para substituir as perdas. A China continua a ser o principal destino das exportações de petróleo bruto angolano, cerca de 59,63% “Infelizmente, às vezes não é possível trazer o mesmo volume de petróleo novo do que se perde, mas há um equilíbrio; o objectivo é mantermos acima de um milhão de barris de petróleo por dia. Houve um mês que a média foi inferior a um milhão, mas isso estava previsto devido a acções de manutenção de algumas instalações”, anuiu. “Nós estamos a trabalhar principalmente para que esta produção se mantenha a este nível até 2027-30. Depois, com o resultado das actividades de exploração, poderemos, ou não, continuar a ter esta produção; tudo vai depender do resultado das actividades de exploração que estamos a realizar neste momento”, acrescentou. No terceiro trimestre, Setembro foi o mês que registou menor volume de exportações, com 28,5 milhões de barris de petróleo, bem como de valor arrecadado, com 1,9 mil milhões de dólares. A China continua a ser o principal destino das exportações de petróleo bruto angolano, com 59,63%, seguido da Índia (8,59%), Indonésia (7,61%) e Espanha (4,13%). No que se refere ao gás natural, foi exportado cerca de 1,6 milhão de toneladas métricas, com destaque para o Gás Natural Liquefeito (GNL), que representou 88,62%, arrecadando o valor bruto de 900,7 milhões de dólares, maioritariamente exportado para a Ásia.

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