
Foi há cerca de um mês, em outubro, que a Nintendo lançou oficialmente ‘Pokémon Legends: Z-A’, um novo jogo da icónica ‘franchise’ da empresa nipónica que, apesar de estar disponível na Switch original, é o primeiro a chegar à Switch 2. Após receber um código da própria Nintendo que nos permitu jogar a ‘Pokémon Legends: Z-A’ na Switch 2, esta foi a oportunidade que precisávamos para regressar a um ‘Pokémon’ – o nosso primeiro jogo da série desde que jogámos a ‘Pokémon Crystal’, lançado no ano 2000. Jogar a ‘Pokémon Legends: Z-A’ tornou-se portanto uma experiência interessante. Não só foi uma oportunidade de analisar virtudes e defeitos, mas também de ver como evoluiu ‘Pokémon’ enquanto ‘franchise’ ao longo dos últimos 25 anos. Será que os fundamentos se mantêm e a série se soube adaptar aos tempos modernos? A resposta é sim e não, dependendo do que falamos. É importante recordar que, tal como ‘Pokémon Legends: Arceus’ de 2022, ‘Pokémon Legends: Z-A’ não tem os combates por turnos que definiram a série nem está importado em introduzir uma nova geração de pokémons. © Nintendo Ao invés de combates por turnos, o jogador tem um controlo em tempo real do combate e tem à disposição pokémons pertencentes às mais variadas gerações que foram introduzidas até aqui. Estes elementos estão, na verdade, entre os melhores de ‘Pokémon Legends: Z-A’. Apesar de sermos fãs de combates por turnos, o facto de o combate ser em tempo real faz com que a troca entre pokémons seja mais dinâmica e que o posicionamento do treinador também desempenhe um papel importante no decorrer do combate. Sim, porque se o jogador receber um determinado volume dos ataques dos pokémons adversários o combate pode terminar mais cedo. Trocar de pokémons durante o combate é fácil, atacar também e ‘Pokémon Legends: Z-A’ acaba por se ver livre de uma série de dinâmicas que faz com que seja muito mais fácil e rápido evoluir pokémons. Além de todos os seis pokémons que estão com o jogador na ‘party’ ganharem alguma experiência após um combate (e não apenas os que participaram), também os pode substituir por outros pokémons que tenha apanhado através do menu sem necessidade de ir a um computador no Pokémon Center. © Nintendo A jogabilidade torna-se ainda mais dinâmica com a facilidade que é trocar entre os diferentes ataques dos pokémons. Tal como nos jogos mais antigos, os pokémons só podem ter quatro ataques ‘ativos’ mas, ao invés de ‘esquecer’ ataques sempre que surgia um novo, estes ataques ficam disponíveis e podem ser trocados tão facilmente quanto se troca entre pokémons na ‘party’ ou no computador. Se por um lado este maior dinamismo torna o combate mais ‘vivo’ e facilita o trabalho de evoluir as dezenas de pokémons que vai apanhar ao longo do jogo, a verdade é que com a troca constante se perde a ‘familiaridade’ e a proximidade que se ganha com os monstros à medida que vão evoluindo. Ainda assim, diríamos que estas mudanças de ‘Pokémon Legends: Z-A’ são positivas e ajudam a série a quebrar com a tradição sem perder o que torna ‘Pokémon’ uma das séries de videojogos mais populares. Outro elemento que gostaríamos de destacar é o ciclo dia/noite que, em ‘Pokémon Legends: Z-A’, tem uma importância acrescida. Além de ditar que pokémons surgem nas Wild Zones (áreas de Lumiose City onde é possível encontrar pokémons selvagens), é neste ciclo que assenta grande parte da progressão do enredo. © Nintendo Em ‘Pokémon Legends: Z-A’ o jogador chega a Lumiose City (uma cidade inspirada em Paris com a sua própria Torre Eiffel no centro) e – após escolher entre um Chikorita, Tepig ou Totodile como primeiro pokémon – apercebe-se que está a decorrer o ZA Royale. Trata-se de uma competição onde o objetivo é ir derrotando adversários para ir da classificação Z até à A, tornando-se assim no melhor treinador de pokémons. Acontece que só é possível subir de classificação em combates especiais de promoção, para os quais é possível apurar-se derrotando treinadores durante a noite em zonas especiais chamadas de Battle Zones. Cria-se assim um ciclo interessante entre o dia e a noite semelhante ao que acontece em outras ‘franchises’ de jogos RPG, como é o caso de ‘Persona’. Durante o dia é possível explorar as Wild Zones, apanhar novos pokémons, treinar os pokémons da sua ‘party’ e também completar as muitas missões secundárias espalhadas por Lumiose City. Já durante a noite, é altura de ir até uma Battle Zone, defrontar outros treinadores e tratar de se apurar para os combates de promoção. © Nintendo Os combates na Battle Zone também são mais dinâmicos, uma vez que pode apanhar os adversários desprevenidos e ganhar mais dinheiro consoante complete ações específicas – como atacar primeiro, fazer KO com ataques de tipo específico, etc. Mesmo que já tenha o combate de promoção assegurado, vale a pena ir até uma destas áreas com outros treinadores nem que seja para a experiência ganha e dinheiro que pode reunir. O facto de as Battle Zones terem lugar em diferentes pontos da cidade faz também com que seja mais fácil explorar a cidade de Lumiose City, sendo que este é um dos pontos negativos na nossa experiência face aos antigos. Por muito interessante que seja a história concentrar-se numa única cidade e nos planos de reabilitação urbana de uma grande empresa para melhorar o convívio entre humanos e pokémons, a verdade é que Lumiose City parece desprovida de vida. Há poucos elementos distintivos entre bairros e cedo fica evidente que os prédios são apenas polígonos onde nem as janelas e varandas foram merecedores de especial atenção. © Nintendo Ao contrário das personagens e dos pokémons que são ricos em detalhes, o cenário onde têm lugar as batalhas podia ter merecido um pouco mais de ‘carinho’ – sobretudo dado que outros jogos da Nintendo já têm um grafismo mais avançado e tão recheados de detalhes que impulsionam a exploração. Num determinado momento, enquanto jogávamos a ‘Pokémon Legends: Z-A’, Lumiose City assemelhou-se a uma daquelas cidades usadas para treinos das personagens da série de animação ‘My Hero Academia’ onde ninguém vive e serve apenas para simular condições urbanas. É uma pequena que, tendo a oportunidade de se ficarem numa única localização, a equipa de desenvolvimento não tenha aproveitado a oportunidade para desenvolver e aprofundar aquela que é uma das cidades mais emblemáticas de ‘Pokémon’. Apanhar pokémons enquanto se explora os cenários é divertido e o ciclo dia/noite certamente ajuda a tornar a progressão mais dinâmica, mas fica a sensação que mais poderia ser feito em Lumiose City enquanto lugar. Outro ponto negativo que gostaríamos de apontar é o começo do jogo. É certo que o início de qualquer jogo serve para explicar as mecânicas de jogo, apresentar as personagens e estabelecer o objetivo diante do jogador, mas em ‘Pokémon Legends: Z-A’ isto surge à custa daquela que é a sua maior virtude: a liberdade. © Nintendo As primeiras duas ou três horas de ‘Pokémon Legends: Z-A’ são basicamente passadas em ‘carris’, onde o jogador não tem qualquer liberdade para explorar ao seu ritmo. Basta tentar seguir por uma rua diferente e é logo recebida uma mensagem a indicar que o objetivo está em outro lugar. Eventualmente o jogador abandona estes ‘carris’ e consegue ter acesso às melhores partes do jogo, mas o início de ‘Pokémon Legends: Z-A’ é de facto difícil tal não é a lentidão com que progride. Considerações finais Do ponto de vista de alguém que não joga a um ‘Pokémon’ há cerca de 25 anos, ‘Pokémon Legends: Z-A’ foi uma bela surpresa. Os combates são mais dinâmicos e o ciclo dia/noite dá ao jogo uma estrutura em que está sempre à espera para fazer alguma coisa, ao mesmo tempo que tem sempre coisas diferentes para fazer. Mesmo que a Nintendo tenha perdido a oportunidade de tornar Lumiose City uma localização mais interessante e com maior personalidade, o ‘loop’ de jogo é capaz de manter o jogador cativado. Além disso, a história em que o jogador deve descobrir o que está na origem de evoluções Mega sem explicação que acontecem por toda a cidade também é um bom mistério por desvendar. Tudo somado, diríamos que ‘Pokémon Legends: Z-A’ é um bom capítulo da ‘franchise’ na medida que mantém o que funcionava e reformula elementos para a manter atrativa tanto para fãs de longa-data, novos jogadores e também pessoas que ficaram pelo caminho e esperam voltar a ter contacto com a série. Pontos positivos: Combates mais dinâmicos e em tempo real; Ciclo dia/noite cria um ‘loop’ em que o jogador tem sempre coisas para fazer; Mega Evoluções de pokémons clássicos são sempre gloriosas de se ver; Troca fácil entre pokémons e escolha de diferentes ataques mantém o jogo rápido; Combates de promoção com treinadores com o seu próprio estilo; Experiência super fluida na Switch 2. Pontos negativos: Lumiose City não é mais do que uma série de polígonos com pouco detalhe e, enquanto localização, é praticamente desprovida de personalidade; Primeiras horas com pouca liberdade; Ideal para… Os fãs de ‘Pokémon’ que se mantiveram fiéis até hoje terão aqui certamente motivos para continuarem a jogar um título da série. No entanto, se continuam firmes nos combates por turnos e acham que ‘Pokémon Legends: Arceus’ nunca deveria ter mudado esse fundamento, então aconselha-se cautela porque ‘Pokémon Legends: Z-A’ adota um combate em tempo real. Por outro lado, se deixou ‘Pokémon’ pelo caminho porque sentiu que os jogos da série se estavam a tornar todos muito iguais, este pode ser o ponto que precisava para regressar e tentar perceber se – como aconteceu connosco – estas mudanças são suficientes para voltar a deixar-se cativar-se por estes jogos. Caso já tenha consigo uma Switch 2, este ‘Pokémon Legends: Z-A’ também é uma boa forma de tirar partido da consola uma vez que se trata de uma experiência fluida e onde nem os combates mais caóticos sofrem abrandamento. Em suma, um bom exclusivo da Nintendo que pode ajudar a impulsionar (ainda mais) as vendas da Switch 2 para a época natalícia que se aproxima. Leia Também: Novo ‘Pokémon’ já vendeu quase 6 milhões de cópias
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