Quase 20 anos depois de “Metroid Prime 3: Corruption”, a Nintendo lançou no final de 2025 uma continuação intitulada “Metroid Prime 4: Beyond” – um novo capítulo desta saga de Samus Aran que deu aos fãs a oportunidade de voltar a explorar planetas misteriosos repletos de perigos, inimigos e de melhorias para o fato e armamento da protagonista.

É importante também mencionar que, em todos estes anos, os jogadores tiveram a oportunidade de jogar a outros títulos, como é o caso do ‘morno’ “Metroid: Other M” em 2010 ou do aclamado “Metroid Dread” de 2021. Houve ainda uma remasterização do primeiro “Metroid Prime” para ‘ambientar’ os jogadores a esta saga desenvolvida pela produtora norte-americana Retro Studios um lançamento muito pedido pelos fãs que, apesar de tudo, pode ter acabado por, de certa forma, minar este “Metroid Prime 4: Beyond”.
O Notícias ao Minuto teve a oportunidade de jogar a “Metroid Prime 4: Beyond” na íntegra e, ao contrário do que pode ter depreendido do final do último parágrafo, não deixámos de apreciar a oportunidade de voltar a jogar a um “Metroid” desenvolvido pela Retro Studios. Estão aqui todos os ingredientes de um bom “Metroid Prime” mas, nos quase 20 anos que passaram, gostaríamos de ter contado com um pouco mais.
© Nintendo  
Ao contrário das novidades de jogos anteriores como as realidades paralelas de “Metroid Prime 2: Echoes” e até dos controlos por movimentos de “Metroid Prime 3: Corruption”, este novo capítulo pouco tempo de novo por assim dizer. Mas vamos por partes.
“Metroid Prime 4: Beyond” começa com a caçadora de recompensas Samus a atender um pedido de ajuda depois de um ataque às instalações da Federação Galática por piratas do espaço liderados pelo vião Sylux. Após um confronto com estes inimigos, Samus, alguns dos seus aliados e Sylux são teletransportados para o planeta Viewros.
Uma vez chegada a este planeta, Samus recebe como missão preservar a cultura Lamorn – uma raça alienígena à beira da extinção – de forma a enviá-la para um novo mundo de forma a poder, novamente, prosperar.
Enquanto ponto de partida, podemos dizer que foi um dos que mais nos interessou na nossa experiência com a saga “Metroid Prime” e que sentimos que, infelizmente, não foi aproveitado como merecia. O deserto que serve de ligação para as diferentes áreas (que dão lugar a tradicionais masmorras) é um constante lembrete que o planeta está desolado, vazio e sem esperança de regressar à sua antiga glória. Este deserto poderia ter sido preenchido com ruínas, restos de vilas e aldeias que Samus pudesse explorar.
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Num jogo onde analisar o meio envolvente é uma parte tão importante da progressão, sentimos que preencher mais este deserto com informação e ‘world building’ poderia ter sido usado de formas mais criativas do que aquela que tivemos na versão final. Samus consegue também viajar mais rapidamente numa mota mas, por muito ‘cool’ que seja ver a protagonista atravessar o deserto neste novo meio de transporte, parece que também podia ter sido mais aproveitada e limita-se a ser uma forma mais rápida de ir do ponto A ao ponto B.
Já as cinco áreas que Samus deve explorar para encontrar cinco chaves (de forma a ativar a máquina de teletransporte), são suficientemente diversificadas – ainda que não cumpram o que se espera de um “Metroid Prime”.
O facto de estarem delimitadas por uma área aberta e não interligadas entre si faz com que se pareçam mais a masmorras tradicionais dos antigos “The Legend of Zelda”. Não nos entendam mal – até porque somos fãs dos “The Legend of Zelda” que precedem “Breath of the Wild” e “Tears of the Kingdom” – mas, quando a progressão por estas masmorras se baseia em encontrar um novo ‘upgrade’ para o fato de Samus para usá-lo no boss final, sentimos que talvez “Metroid Prime 4: Beyond” tenha sido lançado ligeiramente fora de tempo.
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No entanto, todas as áreas referidas são visualmente impressionantes. Além de uma zona com uma árvore gigante, outra com três torres a serem assoladas por uma tempestade elétrica ou um vulcão, temos a dizer que o grande destaque vai para o laboratório numa montanha de neve.
Do princípio ao fim, esta área foi de longe a nossa preferida. Após um confronto com uma matilha de lobos no meio de uma tempestade, o jogo toma a direção do que poderia ser um filme semelhante ao primeiro “Alien” – com Samus a percorrer corredores vazios e arrepiantes e onde, pouco a pouco, vai descortinando o que aconteceu aos Lamorn nestas instalações. É uma pena que o conceito desta masmorra não se tenha estendido para as outras áreas do jogo de forma a torná-las tão distintas e pontos altos tão dignos de nota.
Voltando agora ao aspeto visual, a nota para “Metroid Prime 4: Beyond” é claramente positiva. A experiência que tivemos na Switch 2 foi imaculada, com uma resolução elevada e uma fluidez que, francamente, temos pena de não encontrarmos em mais jogos lançados nos dias de hoje. No campo técnico, os efeitos visuais continuam ao melhor nível dos jogos da Nintendo e tivemos uma experiência sem qualquer ‘glitch’ ou ‘bugs’. 
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No departamento sonoro, a música é exatamente aquilo que os fãs de “Metroid” se habituaram a encontrar. Ainda que não existam tantas melodias dignas de nota, regressar à área mais verdejante que serve como ‘hub’ para Samus e para as personagens que as acompanham é sempre um ponto alto do ponto de vista sonoro – um daqueles momentos em que qualquer fã de “Metroid Prime” se sentirá agradecido por ter a oportunidade de jogar a um novo capítulo.
A jogabilidade de “Metroid Prime 4: Beyond” também será familiar para quem já jogou a um “Metroid Prime”. A perspetiva na primeira pessoa continua a ser infalível no que diz respeito a colocar os jogadores na pele de uma caçadora de recompensas a explorar um planeta cheio de perigos, sendo que só lamentamos a falta de novos ‘brinquedos’.
Ao longo do jogo Samus limita-se a encontrar habilidades já conhecidas pelos jogadores, que vão desde o duplo salto, até à Morph Ball e a todas as capacidades dela – nomeadamente criar bombas e andar em determinadas superfícies que desafiam a gravidade. Nenhuma das habilidades ganhas por Samus serão uma novidade para os fãs de “Metroid” e, infelizmente, nem as capacidades psíquicas são usadas com especial criatividade.
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Ao invés de introduzirem novas mecânicas e formas de interagir com o meio envolvente, estas habilidades psíquicas limitam-se a providenciar versões alternativas de outras habilidades já existentes em jogos passados. Uma destas habilidades permite a Samus controlar a direção dos disparos, abrandando o curso do tempo mas, infelizmente, não há muito mais ‘inovação’ em relação a outros jogos do género ou comparando com outros “Metroid”.
Tendo em conta que se tratam de poderes psíquicos, Samus poderia ganhar a capacidade de influenciar comportamentos de adversários ou até materializar rochas, obstáculos ou outros elementos para o campo de batalha de forma a ganhar vantagem. Sabemos que “Metroid Prime” nunca foi um jogo convencional com perspetiva na primeira pessoa, mas sentimos que a produtora Retro Studios poderia ter explorado mais as habilidades psíquicas de Samus.
Nada disto é, no entanto, negativo. “Metroid Prime 4: Beyond” joga-se muito bem e os fãs de “Metroid” sentir-se-ão (novamente) em casa. Se tivermos uma crítica é que “Metroid Prime 4: Beyond” é demasiado ‘seguro’ no que diz respeito à jogabilidade e que pode ter faltado alguma ambição – ou falta de tempo tendo em conta o processo de desenvolvimento do jogo.
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Considerações finais
Como acontece com qualquer jogo com uma leal base de fãs que esteve anos à espera de um novo capítulo, “Metroid Prime 4: Beyond” torna-se facilmente vítima do peso das expectativas. Acontece que, por muito que tenhamos apontado a esta nova aventura de Samus Aran, gostámos muito de toda a experiência.
Enquanto fãs que somos dos outros três “Metroid Prime” (e dos outros jogos da Retro Studios), confessamos uma exigência acrescida com “Metroid Prime 4: Beyond” que, apesar disso, continua fiel ao que se espera de uma aventura de Samus Aran.
Mais ainda, “Metroid Prime 4: Beyond” é um daqueles jogos que, tecnicamente, faz valer a compra de uma Switch 2 tal não é a beleza dos cenários – proporcionada tanto a jogar na televisão, como em modo portátil.
Pontos positivos
– Grafismo e fluidez da versão Switch 2;
– Tensão do nível da neve;
– Puzzles requerem frequentemente uma observação mais cuidada;
– Masmorras diversificadas;
– Boa curva de dificuldade;
– Excelente premissa de Viewros que, infelizmente…
Pontos negativos
– Poderia ter sido melhor aproveitada na reta final;
– Vilão principal pouco impactante, assim como os aliados de Samus;
– Poucas inovações nos ‘upgrades’ e habilidades de Samus
Ideal para…
“Metroid Prime 4: Beyond” é um jogo fácil de recomendar para fãs da saga. Ainda que seja demasiado conservadora, estão aqui todos os elementos e ingredientes que os fizeram ‘apaixonar-se’ pelas aventuras de Samus Aran. Infelizmente, isso também significa que quem ainda não se deixou render a “Metroid” poderá continuar sem o fazer com este novo título.
Dada a forma como as diferentes masmorras foram desenhadas, os fãs dos antigos “The Legend of Zelda” que se sintam deixados de lado com os jogos mais recentes da série, poderão ter aqui uma agradável surpresa.
 

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