advertisemen tO alívio da dívida dos países de baixo rendimento e o combate à desigualdade económica vão estar em foco na cimeira do Grupo dos 20 (G20), que vai decorrer neste fim-de-semana na África do Sul. Segundo informou a Lusa, entre as prioridades estabelecidas pela África do Sul – que organiza pela primeira vez uma cimeira do grupo no continente africano – para a presidência do G20 estão também o reforço da resiliência a catástrofes, o financiamento de uma transição energética justa e a exploração de minerais críticos para o crescimento inclusivo e o desenvolvimento sustentável. O país pretende também avançar com a criação de um Painel Internacional sobre a Desigualdade, semelhante ao Painel Internacional Para as Alterações Climáticas (IPCC, na em inglês), que é a principal recomendação de um relatório liderado pelo Prémio Nobel da Economia de 2001, Joseph Stiglitz. Entre 2021 e 2023, o continente africano gastou 70 dólares ‘per capita’ em pagamentos de juros da dívida, mais do que o dinheiro investido na educação ou na saúde, que foi de 63 e 44 dólares por pessoa, respectivamente, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU). O regresso de Donald Trump à liderança dos EUA teve um grande impacto na primeira presidência africana do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo e representa 85% do Produto Interno Bruto (PIB) global, além de perto de dois terços da população mundial. O Presidente norte-americano anunciou, a princípio, que “nenhum funcionário” do Governo vai participar na cimeira, alegando que estão a ser cometidos abusos dos direitos humanos contra a minoria afrikaner (sul-africanos brancos descendentes de colonos europeus), uma afirmação categoricamente rejeitada pela África do Sul. A situação agravou-se com os ataques violentos e repetidos de Trump contra o Governo do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa. O governante norte-americano multiplicou críticas à administração sul-africana desde o seu regresso à Casa Branca, classificando a presidência daquele país do G20 como uma “vergonha” e defendendo que o país não deveria integrar o grupo e reiterou a desconfiança no multilateralismo, do qual o fórum é um dos instrumentos. Já em Janeiro, iniciou a retirada dos EUA do acordo de Paris sobre as alterações climáticas e, em seguida, impôs tarifas às importações norte-americanas, que posteriormente têm vindo a negociar individualmente com os diferentes países. Atingida pelas tarifas mais elevadas da África Subsaariana (30%), Pretória tentou restabelecer as relações com Washington, antes de ser forçada a agir contra a taxação: “Que pena para eles”, afirmou recentemente Ramaphosa, que estava determinado a prosseguir com a sua agenda, com ou sem a ajuda da principal potência económica mundial. Na quarta-feira (19), o Governo sul-africano repudiou a posição dos EUA de negar a Pretória a possibilidade de invocar “um consenso” do grupo, habitual na declaração final da cimeira, devido à ausência dos norte-americanos na reunião. EUA manifestam interesse em participar da Cimeira do G20 Entretanto, os EUA informaram a África do Sul, nesta quinta-feira (20), que afinal estarão presentes na Cimeira do G20, que decorre neste fim-de-semana em Joanesburgo, segundo o Presidente sul-africano. “Recebemos uma notificação dos Estados Unidos, sobre a qual continuamos em discussão com eles, relativa a uma mudança de posição quanto à sua participação na cimeira, de uma ou de outra forma”, declarou o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que afirmou desconhecer quem representará Washington na cimeira. Esta reviravolta norte-americana, analisa a agência noticiosa France-Presse (AFP), tem contornos que permanecem por definir e surge como “um verdadeiro golpe de teatro”, depois de, inicialmente, o boicote à cimeira do G20 na África do Sul, decretado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, parecer definitivo. “(A comunicação norte-americana) chega numa fase tardia antes do início da cimeira. Portanto, temos de aprofundar esta discussão para ver até que ponto é exequível e o que significa realmente”, acrescentou Ramaphosa. Criado em 1999, o G20 integra 19 países – Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, República da Coreia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e EUA, além de dois organismos regionais: a União Europeia e a União Africana O chefe de Estado sul-africano, contudo, afirmou que a África do Sul considera este desenvolvimento “um sinal positivo”. “Todos os países estão aqui e os Estados Unidos, a maior economia do mundo, devem estar presentes”, afirmou. O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que tem laços de proximidade com Ramaphosa, já confirmou a presença na cimeira. Entretanto, os Presidentes da China, Xi Jinping, do México, Claudia Sheinbaum, da Rússia, Vladimir Putin, e da Argentina, Javier Milei, não participam do encontro, mas vão enviar representantes. Espera-se que a China, cujo primeiro-ministro, Li Qiang, estará em Joanesburgo, defenda mais uma vez o multilateralismo. “A globalização económica e o surgimento de um mundo multipolar são irreversíveis”, afirmou Li Qiang, no final de Outubro, numa cimeira regional na Ásia, pedindo o fim do regresso da “lei da selva” no comércio mundial. Do lado russo, o conselheiro económico de Vladimir Putin, Maxim Oreshkin representou Moscovo na cimeira, marcada pela ausência do ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Serguei Lavrov. Cimeira do G20 A cimeira do G20 decorre neste sábado e no domingo (22 e 23) no centro de convenções Nasrec, em Joanesburgo. Marca o fim de um ciclo de presidências do fórum exercidas pelos países do Sul Global, depois da Indonésia (2022), da Índia (2023) e do Brasil (2024). A África do Sul assumiu a presidência rotativa do G20 em 1 de Dezembro de 2024 e vai mantê-la até 30 de Novembro deste ano, altura em que os Estados Unidos assumem a liderança do grupo. Os EUA anunciaram já a intenção de redireccionar o foco do G20 para as questões de cooperação económica. A próxima cimeira está prevista para Dezembro de 2026 em Miami, num campo de golfe da família Trump. Criado em 1999, o G20 integra 19 países – Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, República da Coreia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e EUA, além de dois organismos regionais: a União Europeia e a União Africana.

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