A Sucursal Internacional de Força (AIE) adverte que a produção suplementar de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) a partir de 1 de Setembro pode desequilibrar o mercado, tendo em conta o abrandecimento no aumento da procura de crude previsto para 2025 e 2026, noticiou a Lusa.
Segundo informou, no relatório mensal sobre o mercado petrolífero publicado nesta quarta-feira (13), a AIE revê em ligeira baixa as suas estimativas sobre o consumo global para 103,737 milhões de barris por dia (bpd), em média, em 2025, o que significa menos 20 milénio barris do que tinha calculado em Julho.
Isto significa que o aumento homólogo ficará em 685 milénio bpd em 2025, contra 860 milénio em 2024.
Para 2026, a dependência prevê um aumento para 104,436 milhões de bpd, mais 699 milénio bpd que leste ano.
Os autores do relatório salientam que o aumento da procura no segundo trimestre deste ano foi de 600 milénio bpd, em confrontação com o mesmo período de 2024, o que significa que foi o mais insignificante do último ano.
A principal razão é que o consumo nas economias emergentes foi mais fraco do que o esperado, o que levou a uma revisão em baixa das previsões para a China, Brasil, Egipto e Índia em relação ao relatório anterior.
A limitação a esta tendência é a aviação, que apresenta um comportamento robusto neste Verão nos Estados Unidos da América (EUA) e na Europa, o que contribuirá para um aumento global da procura de querosene de 2,1% em 2025, o mais elevado de todos os derivados do petróleo.
No entanto, os autores do relatório prevêem que a produção de querosene precisará de 7,7 milhões de bpd neste ano, o que corresponde ainda a 180 milénio barris a menos do que o pico histórico de 2019, antes da crise da covid.
Aumento da oferta pressiona equilíbrios do mercado petrolífero
Quanto ao pregão de 3 de Agosto em que a OPEP+ decidiu aumentar a produção em 547 milénio bpd a partir de 1 de Setembro para completar a restituição de 2,2 milhões de bpd que tinham retirado do mercado em 2023, a AIE considera que tal terá pouco efeito sobre os restantes produtores.
A dependência reviu em subida as suas previsões sobre a produção de petróleo em 370 milénio barris diários para leste ano, os mesmos que serão adicionados pelos membros da OPEP+.
Para 2026, a expurgação para cima em relação ao mês pretérito é de 620 milénio bpd, dos quais 520 milénio corresponderão ao privilégio petrolífero. A diferença entre estes dois números será essencialmente preenchida pelos EUA, que reforçarão ainda mais a sua posição de primeiro produtor mundial de petróleo bruto.
Em suma, leste ano serão colocados no mercado 105,5 milhões de bpd, o que representa 2,5 milhões de bpd a mais do que em 2024 e, apesar da decisão da OPEP+, a maior secção dessa taxa suplementar (1,3 milhões de bpd) virá de outros países produtores e, sobretudo, dos EUA, Canadá, Brasil e Guiana.
A OPEP+ reviu em subida ligeira a previsão da procura de petróleo bruto em 2026, para uma média de 106,52 milhões de barris por dia
O mesmo se repetirá em 2026, com 107,4 milhões de bpd, um aumento anual de 1,9 milhões de bpd, dos quais um milhão de barris por dia virá de fora da OPEP+.
Tudo isto leva a AIE a indicar que “os equilíbrios do mercado petrolífero parecem cada vez mais inflacionados, uma vez que a oferta prevista excede em muito a procura no final deste ano e em 2026.”
No entanto, a AIE esclarece que outras variáveis poderiam modificar esse diagnóstico, em privado as novas sanções anunciadas pela União Europeia contra a Rússia e pelos EUA contra a Rússia e o Irão. Ambos são o terceiro e o quinto maiores produtores de petróleo do mundo.
A desenlace da dependência — que reúne os principais países do mundo desenvolvido — é que “embora ainda seja muito cedo para mandar o resultado daquelas últimas mudanças políticas que vão em direcções diferentes, está evidente que alguma coisa terá de ser ajustado para que o mercado se equilibre.”
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