a d v e r t i s e m e n tO continente africano investe todos os anos cerca de 90 mil milhões de dólares em infra-estruturas, mas grande parte desse montante continua a ser canalizado para empresas estrangeiras. A procura por novas obras resulta da urbanização acelerada, do crescimento populacional e do desenvolvimento económico, mas o défice estrutural permanece elevado.

Na Feira Comercial Intra-Africana 2025, que decorre de 6 a 12 de Setembro, a vice-presidente executiva do Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank), Kanayo Awani, e o especialista em construção civil Anthony Ebo Kyereboah-Coleman defenderam que África deve assumir o controlo do seu próprio processo de desenvolvimento. Ambos apelaram a um esforço concertado para fortalecer a capacidade dos empreiteiros locais.

Para Kanayo Awani, a excessiva dependência de empresas externas tem travado o progresso regional e limitado o papel de África na economia mundial. “O futuro do desenvolvimento de África não pode ser externalizado”, afirmou. “Tem de ser concebido, projectado e construído por africanos.”

Um estudo conduzido pelo Afreximbank analisou as razões que explicam a fraca participação de empresas africanas em contratos de grande dimensão. Ao apresentar os resultados, o investigador Anthony Ebo Kyereboah-Coleman sublinhou que muitas firmas não dispõem da experiência necessária em áreas como aquisições, engenharia e construção, o que as torna menos competitivas.

Além dessa lacuna, o especialista destacou que o acesso limitado a financiamento e garantias representa um obstáculo decisivo. A falta de instrumentos adequados restringe a capacidade de várias empresas africanas assegurarem e executarem projectos de grande escala.

O académico acrescentou que muitos empreiteiros desconhecem as oportunidades de licitação existentes. Do lado dos Governos, algumas agências reconhecem dificuldades semelhantes, apontando não só a escassez de capacidade técnica, mas também as cláusulas impostas por financiadores internacionais que acabam por excluir empresas locais.

Perante este cenário, o Afreximbank lançou a Iniciativa Interafricana de Promoção de Contratos, que visa colocar os empreiteiros africanos no centro do desenvolvimento de infra-estruturas, através da combinação de financiamento, assistência técnica e facilitação de parcerias estratégicas, reforçando a presença local na construção do futuro do continente.

Fonte: The Herald

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