a d v e r t i s e m e n tA África do Sul e a União Europeia (UE) prometeram defender o multilateralismo, nesta quinta-feira (20), antes da cimeira do Grupo dos 20 (G20), ao assinarem uma parceria sobre minerais críticos.
A África do Sul está a acolher a reunião do G20 deste ano, apesar do boicote do seu membro mais poderoso, sendo que o Presidente Cyril Ramaphosa afirmou que os Estados Unidos da América (EUA) estão agora a considerar participar de alguma forma.
De acordo com a Reuters, os analistas consideram a ausência dos EUA ou qualquer movimento obstrucionista como uma oportunidade para a África do Sul estreitar os laços com a União Europeia e a China, os seus dois maiores parceiros comerciais.
Embora pareça cada vez mais improvável que a reunião culmine numa declaração substantiva, o primeiro fórum do G20 em África é uma vitrina para um continente com economias em rápido crescimento e vasta riqueza mineral. “Estamos a assinar um acordo sem precedentes”, afirmou Ramaphosa numa conferência de imprensa com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, depois de o ministro das Minas sul-africano, Gwede Mantashe, ter assinado o memorando de entendimento.
“Não vamos mais depender apenas da extracção de minerais. Queremos extrair esses recursos, processá-los no local ideal, para que a África do Sul comece a subir na cadeia de valor”, acrescentou Ramaphosa.
Os líderes da UE estão a esforçar-se para garantir o abastecimento de dezenas de metais que são vitais para a transição mundial dos combustíveis fósseis para as energias renováveis, para a revolução na informática e para a defesa, uma vez que enfrentam restrições potencialmente prejudiciais ao abastecimento da China, o principal fornecedor mundial de terras raras.
Os planos da UE incluem o armazenamento de terras raras antes dos seus rivais, incluindo os EUA, e o desenvolvimento de um mecanismo de compra conjunta no valor de 9 milhões de euros.
“Precisamos desses insumos para impulsionar a transição para a energia limpa, tanto aqui como na Europa. Como tal, o futuro da nossa economia depende de cadeias de abastecimento justas e confiáveis”, disse von der Leyen.
A responsável destacou que a guerra da Rússia na Ucrânia e o seu impacto no abastecimento energético da Europa despertaram o continente para a necessidade de uma gama diversificada de fontes.
Entretanto, as autoridades sul-africanas esperam que a cimeira possa manter vivo o multilateralismo nas relações internacionais, mesmo que a Administração do Presidente dos EUA Donald Trump rejeite esta forma de diplomacia.
“Concordámos em permanecer unidos na defesa da democracia, do multilateralismo, dos direitos humanos e do Estado de direito”, enfatizou Ramaphosa, num sentimento partilhado pelos seus homólogos.
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