a d v e r t i s e m e n tA organização Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que 6418 pessoas tenham sido mortas desde o início dos ataques terroristas em 2017, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que actuam na província de Cabo Delgado, região Norte de Moçambique.
“Dos 2298 eventos violentos registados, 2133 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique. A violência política no norte do País diminuiu significativamente no final de 2025, sendo Dezembro o auge da estação chuvosa, que restringe a mobilidade, tanto dos terroristas quanto das forças estatais e, consequentemente, reduz a capacidade de realizar operações”, descreveu a entidade.
Segundo um relatório citado pela Lusa, a instituição esclarece que “apesar desse decréscimo sazonal, forças estatais, moçambicanas e ruandesas, entraram em confronto com o Estado Islâmico ao longo da costa e no interior, indicando uma nova seriedade no enfrentamento do grupo.”
No ano passado, o Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu a necessidade de uma reformulação contínua da estratégia nacional de defesa, sublinhando que a segurança de Moçambique depende de instituições capazes de produzirem conhecimento e de formarem quadros altamente qualificados para combater os vários crimes.
Citado pela Agência de Informação de Moçambique, o chefe do Estado reiterou o apelo à vigilância e à prontidão das Forças de Defesa e Segurança (FDS) face ao terrorismo ainda activo na província de Cabo Delgado, região Norte do País, destacando a centralidade da produção científica para a protecção do Estado.
“A crescente complexidade das ameaças regionais exige análises regulares e pesquisas consistentes. As instituições de ensino e de investigação devem estar vigilantes e prontas para proceder à formulação do pensamento estratégico nacional. Há que se estabelecer uma ligação directa entre a qualidade da formação e a capacidade de resposta no terreno”, avançou Chapo.
Segundo o governante, a defesa nacional é uma responsabilidade transversal que envolve todas as partes, nomeadamente civis, empresas, comunidades, sectores económicos e sociais, alertando que o País necessita de profissionais capazes de interpretar precocemente sinais de risco.
Perante a situação de Cabo Delgado, Daniel Chapo rejeita qualquer discurso de vitória antecipada, apesar de reconhecer progressos: “A estabilização tem permitido avanços económicos relevantes, entre os quais o levantamento da cláusula de ‘força maior’ pela TotalEnergies.”
Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos.
Em Abril de 2025, os ataques alastraram também à vizinha província do Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva do Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de, pelo menos, duas pessoas, e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.a d v e r t i s e m e n t
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