Sempre que existe uma tragédia a primeira tentação é a de encontrar responsáveis. Os jornalistas disparam perguntas, os comentadores atiram opiniões, as redes sociais divulgam tudo o que é bom e mau, a opinião pública vai sendo formada. Nunca se espera pelo resultado da investigação feita por peritos. Na verdade, estes relatórios normalmente demoram bastante tempo a ser produzidos e quando são divulgados já não é assunto. O Elevador da Glória foi a mais recente desgraça que nos aconteceu. Com repercussões nacionais e internacionais, envolve um serviço público relevante que está sujeito a regras de funcionamento rigorosas e a um apertado controlo de manutenção e qualidade. Ninguém se lembrará de acontecimento semelhante neste serviço em concreto. Mas muitos se lembraram de pedir a cabeça do primeiro responsável da empresa, a Carris, e logo após, de forma mais ou menos tímida, a do próprio Presidente da Câmara de Lisboa.
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