Há momentos na História em que um país se define pelas decisões que toma. No século XV, Portugal ousou lançar-se ao mar e transformar o desconhecido em destino. Esse feito não teria sido possível sem um ato de visão prévio e quase silencioso: o plantio do Pinhal de Leiria. Iniciado por D. Afonso III e prosseguido por D. Dinis, que intensificou as sementeiras até o pinhal atingir as dimensões finais, aquele mar de pinheiros era mais do que uma proteção costeira natural, era uma política industrial muito à frente do seu tempo. O pinhal fornecia a madeira para as naus e caravelas que fariam do país um império marítimo. Foi, de certo modo, o primeiro investimento estratégico em matéria-prima nacional orientado à construção naval e, por consequência, à projeção de Portugal no mundo. Hoje, passados ​​mais de quinhentos anos, enfrentamos um dilema semelhante. Queremos ser, e dizemo-lo com orgulho, um país marítimo, um Estado com vocação atlântica e com uma economia azul sustentável. Contudo, para que essa ambição não se esgote em discursos e relatórios estratégicos, é preciso olhar para a reparação e a construção naval não como um setor marginal, mas como um pilar estruturante da soberania económica e tecnológica.

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