O preço de referência para a exportação da castanha de caju moçambicana vai aumentar até 19% na próxima campanha (2025-26), segundo uma decisão do Comité de Amêndoas anunciada esta quarta-feira (10). A medida visa responder às variações do mercado internacional e pretende reforçar a competitividade do produto nacional.

De acordo com informações do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, citadas pela Lusa, a sessão do Comité de Amêndoas, realizada esta terça-feira em Maputo, fixou os novos valores para a campanha 2025-26. A castanha com qualidade de 46 libras passa a custar 1250 dólares por tonelada, o que representa uma subida de 19%.

A castanha com qualidade de 53 libras passa a 1440 dólares por tonelada, correspondendo a um aumento de 13,5%. O Ministério fez saber que os novos preços seguem “a dinâmica de preços no mercado internacional”, procurando garantir maior alinhamento com os principais mercados de destino.

A reunião foi dirigida pelo director-geral do Instituto de Amêndoas de Moçambique, Ilídio Bande, e contou com 40 participantes. Estiveram presentes representantes da Associação dos Industriais do Caju, da Associação Comercial e Industrial de Nampula e do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Agro-pecuários e Indústria de Caju e Florestas, entre outros intervenientes da cadeia de valor.

No encontro ficou igualmente decidido que a exportação será oficialmente aberta a 19 de Dezembro, de modo a “garantir o fornecimento pleno à indústria”. Para esta campanha, prevê-se a exportação de cerca de 60 mil toneladas, sendo que 45 mil “já se encontram aprovisionadas”.

Segundo informação divulgada em Outubro, Moçambique prevê investir 374 milhões de dólares para desenvolver o sector do caju. O objectivo é elevar a produção anual das actuais 158 mil toneladas para 689 mil toneladas até 2034, reforçando a capacidade produtiva nacional.

O programa, a ser implementado em todo o País, tem como finalidade “promover o desenvolvimento sustentável e competitivo da cadeia de valor do caju, fortalecendo a investigação, fomento, extensão, comercialização e processamento”. O Ministério indicou que estas acções contribuirão para “o aumento da produção e da renda dos produtores e gerar oportunidades de emprego.”

O governante destacou que “a castanha de caju é um produto de coesão social e de promoção da segurança alimentar e nutricional”. Defendeu ainda a sua introdução “nos programas de alimentação escolar e nas receitas nos nossos restaurantes”, realçando o potencial nutritivo e económico do produto.

“A castanha de caju é um produto de coesão social e de promoção da segurança alimentar e nutricional”Roberto Albino

O Programa de Desenvolvimento da Cadeia de Valor do Caju 2025-34 prevê igualmente a reforma dos mecanismos de implementação para fortalecer a indústria. O plano inclui o aumento da capacidade de assistência de 230 mil para mais de 600 mil produtores, do processamento de 40 mil para mais de 482 mil toneladas e a consolidação da digitalização do sector.

O programa pretende ainda fomentar alianças entre produtores, industriais e exportadores, garantindo benefícios para toda a cadeia. “Pretendemos fazer com que a indústria do caju funcione sem grandes intervenções do Estado”, afirmou o ministro, defendendo maior autonomia para o sector.

Dados oficiais indicam que a campanha 2024-25 atingiu 195,4 mil toneladas de castanha comercializada, aproximando-se dos registos históricos dos anos 1970. No primeiro trimestre deste ano, a exportação rendeu 38,7 milhões de dólares, mantendo o caju como o principal produto tradicional exportado. Há 50 anos, Moçambique produzia mais de 200 mil toneladas anuais e, em 1973, foi o segundo maior produtor mundial, atrás da Índia.a d v e r t i s e m e n t

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