A empresa estatal Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) confirmou que dois comboios de mercadorias descarrilaram na província de Sofala devido à vandalização da linha férrea, causando um prejuízo de 2 milhões de dólares (126,4 milhões de meticais). Os incidentes ocorreram na noite de sábado (29) e na madrugada de domingo, no distrito de Dondo, sem registo de vítimas.
Segundo uma fonte dos CFM, citada pela Lusa, os descarrilamentos foram provocados por “actos de sabotagem” na linha, tendo afectado dois comboios que transportavam carvão mineral. A empresa explicou que equipas técnicas foram mobilizadas de imediato para garantir a rápida normalização do tráfego ferroviário no troço danificado.
Os novos incidentes acontecem menos de um mês depois da interrupção registada a 3 de Novembro, também no Dondo, quando outra vandalização da ferrovia causou ferimentos a um maquinista e prejuízos avaliados em 7 milhões de dólares (442,4 milhões de meticais). A circulação foi retomada dez dias depois, enquanto a polícia prossegue com a investigação ao caso.a d v e r t i s e m e n t
As autoridades policiais admitem a possibilidade de antigos trabalhadores estarem envolvidos nos actos que têm afectado repetidamente a ferrovia. Os CFM alertaram que a reincidência deste tipo de situações compromete a segurança da operação ferroviária e gera elevados custos ao erário público, obrigando a intervenções constantes.
A rede ferroviária sul dos CFM também tem enfrentado perdas significativas devido a roubos e vandalizações. Em Setembro, a empresa revelou prejuízos de 2 milhões de dólares, resultantes do furto de equipamentos e da destruição de aparelhos essenciais ao funcionamento da linha férrea.
No mesmo contexto, Arnaldo Manjate, director de operações ferroviárias dos CFM-Sul, afirmou, durante o Fórum de Prevenção e Combate à Vandalização de Infra-estruturas Públicas, que, só este ano, foram destruídos dispositivos de mudança de via e outros equipamentos avaliados em 5 milhões de meticais (77,6 mil dólares), incluindo danos provocados pelo arremesso de pedras contra locomotivas.
O responsável acrescentou que a região sul tem sido particularmente afectada pelo roubo de carris, travessas metálicas e outras peças essenciais, que posteriormente são vendidas a sucateiras. Segundo os CFM, este fenómeno não só aumenta os riscos operacionais como eleva substancialmente os custos de manutenção.
A rede ferroviária moçambicana está dividida em três zonas – sul, centro e norte – que não estão directamente interligadas, mas asseguram conexões estratégicas com países vizinhos como a África do Sul, Essuatíni e Zimbabué, reforçando a importância da sua preservação e segurança.a d v e r t i s e m e n t
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