O Presidente da República (PR), Daniel Chapo, afirmou esta quarta-feira (17) que a mineração está a provocar um “desastre ambiental” na província de Manica, no Centro do País, e admitiu a possibilidade de suspender totalmente a actividade. “O que está a acontecer em Manica é praticamente um desastre ambiental e nós não podemos permitir que isto continue, porque põe em causa não só a vida selvagem, mas também a vida vegetal, os animais domésticos, como o gado bovino e caprino, e até o próprio ser humano”, declarou Chapo. O Presidente falava à margem da cerimónia de atribuição do título de Doutora Honoris Causa à antiga combatente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Marina Pachinuapa, pela Universidade Púnguè, em Manica. Na ocasião, garantiu que o Governo vai reforçar as acções para travar a poluição, sobretudo nos rios afectados pela mineração. “Vamos tomar medidas duras. Mesmo que seja preciso suspender as actividades, teremos de o fazer. Já falámos sobre isso e temos de repor o ambiente”, afirmou Daniel Chapo, destacando que a prioridade é proteger vidas e o ecossistema. A governadora da província, Francisca Tomás, já havia anunciado a 10 de Setembro a suspensão, por tempo indeterminado, de todas as actividades mineiras em Manica. A decisão, segundo explicou, pretende proteger a saúde pública e permitir a reorganização dos leitos dos rios. “Acima de tudo está a vida humana. A saúde pública é que está em causa, razão pela qual temos de suspender temporariamente as actividades nas minas”, declarou Francisca Tomás, acrescentando que a medida permitirá recuperar os cursos de água gravemente poluídos pela exploração mineira. A 19 de Agosto, a Lusa noticiou que mais seis mineradoras tinham sido multadas por poluição em Manica, elevando para 11 o número de empresas penalizadas por crimes ambientais. As sanções resultaram de fiscalizações realizadas durante uma reunião nacional sobre mitigação de problemas ambientais. “Na semana passada, durante a reunião nacional de aprimoramento da estratégia de mitigação dos problemas ambientais, que decorreu aqui em Manica, realizámos visitas de campo e constatámos que ainda existem empresas que violam a lei”, explicou na altura o inspector nacional de minas, Grácio Cune. Em Maio, Daniel Chapo já havia anunciado a suspensão de cinco mineradoras em Manica por crimes ambientais e poluição. Nessa altura, alertou que a contaminação dos rios prejudicava a agricultura e estava a causar a morte de animais e de pessoas, garantindo ainda que as empresas seriam multadas e poderiam perder equipamentos. “Por causa do garimpo, todos os rios estão poluídos. Suspendemos cinco empresas que estão a cometer este crime ambiental, porque as actividades que realizam estão a destruir o meio ambiente”, afirmou Chapo, avisando que, se a poluição continuar, até as máquinas poderão ser apreendidas e vendidas em hasta pública.
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