A Electricidade de Moçambique (EDM) anunciou prejuízos acumulados de 3,9 milhões de euros (300 milhões de meticais) nos últimos quatro anos devido a vandalizações e roubos de material eléctrico. O anúncio foi feito esta quarta-feira (18), em Maputo, durante o Fórum de Prevenção e Combate à Vandalização de Infra-estruturas Públicas. “Este valor poderia contribuir muito bem para os projectos de melhoramento do fornecimento de serviços, assim como para a expansão da rede eléctrica”, afirmou Salmata Insa, chefe do departamento de prevenção e combate à vandalização na EDM. A responsável sublinhou que os prejuízos comprometem directamente os planos da empresa. De acordo com Salmata Insa, o roubo e a destruição de infra-estruturas estão a atrasar os objectivos da EDM de garantir cobertura eléctrica em todo o País até 2030. “Toda a infra-estrutura sofre com a vandalização, principalmente os cabos alimentadores, os componentes de cobre e os transformadores”, frisou. A responsável explicou que estas acções criminosas são motivadas pela facilidade de venda de cobre no mercado informal. Em Moçambique, já foram identificadas mais de 300 sucateiras clandestinas ligadas a esta actividade. “É preciso não olhar isto apenas como um problema de Moçambique, mas sim como um problema regional”, alertou. Salmata Insa defendeu o banimento da venda de sucata de cobre como medida para desencorajar o roubo. “Não faz sentido um País como Moçambique, que não é produtor de cobre, exportar grandes quantidades deste elemento”, acrescentou, apelando também a um maior controlo nos postos fronteiriços. “Toda a infra-estrutura sofre com a vandalização, principalmente os cabos alimentadores, os componentes de cobre e os transformadores” O País já tinha alertado para o crescimento de uma rede criminosa organizada e transnacional dedicada ao roubo de material eléctrico. Neste contexto, Moçambique pede esforços colectivos na região austral de África, onde países como África do Sul, Maláui, Tanzânia e Essuatíni já adoptaram medidas, incluindo o banimento da exportação de sucata de cobre. Segundo dados da EDM, a província da Zambézia lidera a lista de casos de vandalização, seguida por Inhambane, com maior incidência nos distritos de Inhassoro e Govuro. A empresa lamenta que os valores gastos na reposição de materiais podiam estar a ser aplicados na expansão da rede eléctrica. “Os 300 milhões de meticais, ao invés de contribuírem para acelerar os projectos de expansão, têm sido usados para repor materiais em infra-estruturas vandalizadas”, disse Salmata Insa. Só este mês, a EDM contabilizou perdas de 227 mil euros (17 milhões de meticais) devido ao roubo e vandalização de transformadores, tendo sido detidas cinco pessoas em Nampula. A Lusa noticiou que, em 2023, os prejuízos da EDM chegaram a 426 mil euros (30 milhões de meticais), enquanto em 2022 rondaram os 584 mil euros (41 milhões de meticais), resultado de 265 casos de vandalismo. Actualmente, mais de 60% da população em Moçambique já tem acesso a electricidade em casa, segundo dados oficiais. Fonte: Lusa
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