advertisemen tA petrolífera TotalEnergies, responsável pelo Projeto Mozambique LNG, em andamento na Área 1 da bacia do Rovuma, comunicou que está avançando com a expansão do acampamento para dois mil trabalhadores em Afungi, distrito de Palma, província de Cabo Delgado, região Norte de Moçambique. A informação consta num procedimento de manifestação de interesse para engenharia e fornecimento para expansão do acampamento, lançado pela CCS JV, um consórcio contratado pela multinacional francesa, que se posiciona como líder na construção onshore e como um parceiro comunitário comprometido com as práticas de trabalho seguro em Moçambique. Segundo publicação da Lusa, a consulta, que vai até 20 de fevereiro, carece da apresentação pelos concorrentes do detalhe de design, aquisição e entrega de alojamentos modulares de dois andares para um acampamento de duas mil pessoas. “Pretende-se, ainda, o fornecimento de mobiliário, equipamentos, iluminação interna, Internet, telecomunicações, televisão por satélite, água potável e coleta de águas residuais nesse acampamento”, concluiu. Em janeiro, em uma cerimônia aberta, o presidente da República, Daniel Chapo, e o presidente-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, relançaram o Projeto Mozambique LNG, após cerca de cinco anos de paralisação. Na ocasião, o chefe do Estado esclareceu que a retomada do projeto terá impacto direto e significativo na geração de empregos, tanto na fase de construção quanto na de operação, contribuindo para a dinamização do mercado de trabalho e para a capacitação da mão de obra nacional. “O reinício do Projeto Mozambique LNG abre novas e relevantes oportunidades de negócios para micro, pequenas e médias empresas, reforçando o conteúdo local, a inclusão econômica e o desenvolvimento de cadeias de valor nacionais”, disse Daniel Chapo. O governante destacou igualmente os benefícios diretos para as comunidades locais, ressaltando que a integração das populações nas cadeias de fornecimento constitui um dos pilares centrais do projeto. Extensão do projeto por mais quatro anos e meio Em novembro, o governo decidiu prorrogar por quatro anos e meio o prazo de concessão do megaprojeto de gás natural liquefeito (GNL), recusando a proposta inicial da TotalEnergies, que pedia dez anos. O pedido da petroleira francesa surgiu como forma de compensação pelos prejuízos acumulados durante os quatro anos de suspensão forçada das atividades, estimados em US$ 4,5 bilhões. A informação consta de uma carta enviada por Patrick Pouyanné ao presidente da República, na qual foi igualmente anunciada a decisão de levantar a cláusula de “força maior”, ativada em 2021, na sequência dos ataques armados em Cabo Delgado. Presidente da República, Daniel Chapo Segundo fonte citada na época pela Lusa, foi aprovada em reunião do Conselho de Ministros uma resolução que estabelecia a reposição do período suspenso do projeto de GNL por motivo de “força maior”, garantindo “a recontagem do prazo de desenvolvimento de 30 anos e preservando, nos termos da lei, os elementos do plano de desenvolvimento inicial.” A resolução também definia a “necessidade de avaliar todas as despesas incorridas durante o período da ‘força maior’, com rigor técnico e transparência, garantindo a proteção do interesse público e a previsibilidade contratual, por meio de auditoria independente, que inclui o direito ao contraditório, antes da aprovação do relatório final.” Aprovação das condições para retomada segura das atividades No ano passado, a TotalEnergies considerou que as condições de segurança para a retomada plena do Projeto Mozambique LNG estão reunidas. Por meio de documento, a concessionária solicitou “respeitosamente” ao Executivo que autorizasse a extensão do Período de Desenvolvimento e Produção do campo Golfinho-Atum por uma década adicional, ressaltando que tal medida permitiria “compensar parcialmente o impacto econômico”, causado pela interrupção prolongada das operações. A carta, divulgada pela agência Lusa, também mencionava a necessidade de “otimizar as obrigações financeiras” da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), parceira estatal moçambicana no consórcio liderado pela TotalEnergies. Como condição final antes do relançamento do projeto, a concessionária afirmou aguardar a aprovação governamental de um adendo ao Plano de Desenvolvimento, que inclui um orçamento e cronograma revisados. Segundo a petroleira, a atualização reflete os custos adicionais enfrentados por conta dos eventos classificados como “força maior”, totalizando os US$ 4,5 bilhões citados. Patrick Pouyanné lembrou que o governo realizou, entre 2021 e 2024, uma auditoria das consequências financeiras da suspensão, cujo relatório a empresa espera receber “com a maior brevidade.” Segundo a carta, o prolongado período de inatividade impactou diretamente no calendário da iniciativa, adiando a primeira entrega de Gás Natural Liquefeito na instalação de Afungi, prevista inicialmente para julho de 2024, para o primeiro semestre de 2029. Por consequência, o prazo do Período de Desenvolvimento e Produção será estendido por mais quatro anos e meio. Presidente-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné Informações sobre o Mozambique LNG O projeto Mozambique LNG representa um investimento de cerca de 20 bilhões de dólares e é considerado o maior empreendimento privado em andamento no País. A produção estimada é de 13 milhões de toneladas por ano de GNL, com o desenvolvimento já em cerca de 40%, segundo dados avançados pela TotalEnergies. Além da TotalEnergies, participam do consórcio empresas como a japonesa Mitsui, a moçambicana ENH, a tailandesa PTT e as indianas ONGC, Bharat Petroleum e Oil India. A empreiteira responsável pela construção é a CCS JV, consórcio formado pelas firmas Saipem, McDermott e Chiyoda. Moçambique tem três projetos de desenvolvimento aprovados para operar as reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, todas localizadas ao largo da costa da província de Cabo Delgado. Estudo da consultoria Deloitte aponta que as vastas reservas de gás natural de Moçambique poderão gerar até US$ 100 bilhões em receitas até 2040, tornando o País um dos dez maiores produtores mundiais e responsável por 20% da produção africana de GNL.
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