O embaixador de Moçambique na Etiópia, Nuno Tomás, declarou que a estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) quer aproveitar a experiência da Ethiopian Airlines para apoiar sua reestruturação e treinar pilotos. “A Etiópia tem a maior companhia aérea de África, e nós temos o sonho de revitalizar a LAM. Como tal, não há melhor sítio para estudar do que com eles, que têm experiência, sobretudo, na formação de pilotos comerciais”, afirmou o diplomata citado numa publicação da Lusa Por sua vez, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas, adiantou que, além de ajudar na reestruturação da companhia moçambicana, a Ethiopian Airlines quer também explorar voos para as regiões Centro e Norte do País. “A Ethiopian quer entrar em algumas das nossas cidades. Vamos conversar para ver se podemos trabalhar no sentido de avançarmos com o processo de abertura. Em termos claros, pretendem voar para Nacala, Nampula e Beira”, declarou a governante. Há vários anos, a LAM enfrenta problemas operacionais relacionados a uma frota reduzida e falta de investimentos, com registro de alguns incidentes, não fatais, associados por especialistas à má manutenção das aeronaves. A LAM deixou de realizar voos internacionais há praticamente um ano, concentrando-se em conexões internas. Para minimizar os recorrentes problemas com cancelamento de voos, a companhia vem adquirindo e alugando novas aeronaves, a última delas um Airbus A319 de 148 lugares, que chegou a Maputo em dezembro do ano passado. Ethiopian Airlines Em fevereiro de 2025, o Executivo anunciou a venda de 91% das ações do Estado na companhia aérea por meio de negociação privada. O valor estimado a ser arrecadado com essa venda (cerca de US$ 130 milhões) deve ser destinado à aquisição de oito novas aeronaves e à reestruturação da empresa. Na época, houve também a aprovação da nomeação de um conselho de administração não executivo, composto por representantes das empresas estatais, que se tornaram acionistas da transportadora aérea, nomeadamente Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) e Empresa Moçambicana de Seguros (Emose). Em maio, o Governo contratou a Knighthood Global para liderar a nova fase da reestruturação financeira e operacional da LAM. À empresa, liderada por James Hogan, ex-presidente da Etihad Airways, foi dado um prazo de três meses para estabilizar e reposicionar a transportadora aérea moçambicana. “O foco nos primeiros três meses será estabilizar e reposicionar a LAM”, dizia a nota da consultoria, ressaltando que trabalharia em conjunto com os novos acionistas, com mandato para adquirir novas aeronaves e reconstituir a frota. Segundo dados existentes, somente em 2021, a LAM registrou um prejuízo de mais de 21,7 milhões de dólares; em 2022, US$ 6,9 milhões; em 2023, US$ 60,5 milhões; e em 2024 registrou US$ 34,1 milhões.
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