As autoridades nacionais alertaram nesta segunda-feira, 16 de fevereiro, para a comercialização de produtos alimentícios impróprios para consumo, alegadamente retirados de zonas inundadas na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, apelando à população para que evite adquirir bens de origem duvidosa, sobretudo quando vendidos a preços abaixo do mercado, informou a agência Lusa. Segundo o órgão, a denúncia foi avançada pela delegada da Inspeção Nacional de Atividades Econômicas em Gaza, Mirna Chibuco, que confirmou a identificação de comerciantes tentando vender produtos expostos às águas das enchentes que afetam o sul do País desde janeiro. “Teve alguns agentes que optaram por retirar aquele produto que não estava em contato com as águas para a área alta e colocaram em seus depósitos. E tivemos informações de que alguns já estavam vendendo”, disse. De acordo com a responsável, os bens considerados impróprios “não podem serem consumidos” por humanos ou animais domésticos, advertindo que a sua ingestão representa um sério risco para a saúde pública. “Apelamos para que nossa população não vá às lojas comprar produtos porque estão baratos”, reforçou, indicando que arroz, açúcar e refrigerantes estão entre os itens colocados à venda. A província de Gaza está entre as mais afetadas pela atual temporada de chuvas, com enchentes que causaram destruição de infraestrutura, perdas de bens e deslocamento de famílias. De acordo com dados atualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Risco de Desastres (INGD), desde outubro foram registradas 215 mortes e mais de 856 mil pessoas afetadas em todo o País. A base de dados do INGD, atualizada às 9h18 de hoje, indica que 856.845 pessoas, correspondentes a 198.053 famílias, foram atingidas, com 12 desaparecidos e 314 feridos. Só as enchentes de janeiro causaram pelo menos 27 mortes, enquanto a passagem do ciclone Ciclone Gezani, em Inhambane, causou quatro mortes. No mesmo período, 13 698 casas foram parcialmente destruídas, 5.694 totalmente destruídas e 183 812 inundadas. Foram igualmente afetadas 246 unidades de saúde, 74 casas de culto e 635 escolas. No setor agrícola, 554 603 hectares foram atingidos, dos quais 287 810 considerados perdidos, afetando 365 137 agricultores. Houve ainda a morte de 530 998 animais e danos em 6542 quilômetros de estradas, 35 pontes e 123 aquedutos. Desde outubro, o INGD ativou 137 centros de acomodação, que acolheram 112.959 pessoas. Atualmente, 51 continuam em funcionamento, atendendo pelo menos 41 197 deslocados, num contexto em que as autoridades mantêm o apelo à vigilância e ao cumprimento das orientações oficiais para salvaguarda da saúde pública.
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