advertisemen tO presidente cessante da União Africana (UA), João Lourenço, defendeu neste sábado (14) em Adis Abeba, Etiópia, investimentos significativos que tragam resultados no setor de água e saneamento, para garantir aos africanos o acesso universal e equânime a esses serviços. “Os esforços que temos desenvolvido para a construção do continente que queremos não poderão ser alcançados de forma plena sem que façamos investimentos significativos que tragam bons resultados no setor da água e do saneamento”, disse João Lourenço, que cessou sua liderança à frente da organização, na abertura da 39ª Cúpula da União Africana, antes da cerimônia de transferência de pastas para o Burundi. A conferência, acrescentou Lourenço, debateu questões de grande importância para o funcionamento e crescimento da UA e refletiu sobre os objetivos traçados pela organização para o ano encerrado, sobre os resultados obtidos e sobre o que falta fazer. O presidente de Angola destacou a necessidade de trabalhar “duro para que o acesso à água potável e ao saneamento não constitua apenas uma questão técnica, mas um compromisso político e moral” com os povos. “Apesar da abundância de recursos hídricos no continente, continuamos a registrar situações incontáveis de cidadãos africanos privados de acesso seguro à água potável e ao saneamento adequado, o que constitui um desafio coletivo que deve exigir respostas corajosas, integradas e sustentáveis”, disse. O líder cessante frisou que o objetivo é, da mesma forma, traçar conjuntamente o melhor caminho a seguir para garantir a operacionalização bem-sucedida das questões relativas à água como um recurso vital, insubstituível e determinante para o desenvolvimento econômico, saúde pública, segurança alimentar, estabilidade social e paz na África. “Só assim conseguiremos garantir o acesso universal e equitativo a esses serviços e realizar as aspirações da Agenda 2063, em particular no que se refere ao desenvolvimento inclusivo, ao capital humano, à resiliência climática e à boa governança”, frisou. No seu discurso de passagem de pastas, João Lourenço voltou a sublinhar que 2026 é o ano de colocar em marcha “a aplicação de uma questão capital para o continente africano, que consiste em “assegurar a Disponibilidade Sustentável da Água e Sistemas de Saneamento Seguros para Alcançar os Objectivos da Agenda 2063”. De acordo com o Presidente de Angola, “o acesso à água potável e a sistemas de saneamento seguros é um imperativo de ordem moral e política, que requer um firme empenho de governos e dos seus parceiros locais, designadamente empresas, associações cívicas e comunidades”, apelando à conjugação de esforços “para resolver este sério problema com que África se debate”. Os esforços que temos desenvolvido para a construção do continente que queremos não poderão ser alcançados de forma plena sem que façamos investimentos significativos que tragam bons resultados no sector da água e do saneamentoJoão Lourenço – presidente cessante da UA Ao seu sucessor, o Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, o chefe de Estado angolano destacou a “missão complexa e exigente” que terá pela frente e que “vai absorver uma grande parte de suas energias, de sua disponibilidade de tempo”. “Mas acredite que vale a pena colocar todo o seu empenho nessa busca incessante de soluções em que todos nós, africanos, estamos envolvidos, para romper definitivamente esse ciclo de subdesenvolvimento em que nos encontramos, mas que tem perspectivas animadoras, se todos convergirmos nossas atenções e energias para a consecução desse objetivo”, destacou. Em um balanço sobre seu mandato de um ano, João Lourenço disse que procurou reforçar o papel da UA, como plataforma de concertação política e de ação concreta, promovendo uma maior articulação entre os Estados-membros e as comunidades econômicas regionais, o fortalecimento da abordagem preventiva diante dos impactos das mudanças climáticas, a mobilização de parcerias estratégicas para o financiamento de infraestruturas resilientes, considerando que “o desenvolvimento sustentável é inseparável da estabilidade e da paz duradoura”. Referiu-se igualmente aos diversos conflitos que o continente registra, ressaltando que as ações continuam no sentido de contribuir para a solução desses casos, nomeadamente no Sudão e República Democrática do Congo (RDCongo), sendo também preocupante a expansão de grupos terroristas “que continuam a atingir severamente o Mali, o Burkina Faso, o Níger, a Nigéria e o norte dos Camarões”, citando também os repetidos ataques dos terroristas na Somália, que impactam, na África Austral, o norte de Moçambique. Fonte: Lusa
Painel