O Alerting Earpiece é um dispositivo tecnológico criado por Bohlale Mphahlele, de 16 anos, que, ao ser activado, filma discretamente o agressor, acciona contactos de emergência e informa a localização da vítima em tempo real.
Aos 16 anos, a jovem sul-africana Bohlale Mphahlele decidiu enfrentar a violência baseada no género (VBG) — um dos problemas mais urgentes do seu país — com a força da tecnologia. Natural da província de Limpopo, desenvolveu um auricular inteligente, que se assemelha a um simples brinco e é capaz de registar agressões e accionar ajuda em tempo real, oferecendo uma ferramenta discreta e acessível para mulheres em risco. O dispositivo recebeu o nome de Alerting Earpiece e tornou-se público em 2020, ganhando visibilidade dentro e fora da África do Sul.
A iniciativa nasceu do impacto das estatísticas alarmantes de violência contra mulheres e de tráfico humano no seu território. Estudante do ensino secundário na SJ van der Merwe Technical High School, à época, Bohlale recusou-se a aceitar a realidade imposta, procurando criar soluções.
Nesse sentido, o auricular por ela desenvolvido foi concebido para ser activado discretamente durante uma situação de agressão. Quando ligado, o aparelho filma o agressor, acciona de imediato contactos de emergência — como familiares, amigos ou autoridades — e envia a localização da vítima em tempo real, permitindo uma resposta rápida.
Reconhecimento
A invenção valeu a Bohlale a medalha de bronze na Eskom Expo for Young Scientists, uma das feiras científicas mais importantes da África do Sul. O prémio impulsionou a sua visibilidade no país e ajudou a transformar a ideia num projecto de maior alcance.
Desde então, Bohlale deu um passo ainda maior: fundou a Mphahlele Alerts (Pty) Ltd, uma empresa criada para aperfeiçoar e comercializar o Alerting Earpiece.
Agora, com a sua própria empresa, a jovem procura parcerias com organizações não governamentais, entidades de protecção das mulheres e órgãos públicos. O objectivo é implementar um programa-piloto em comunidades de alto risco, onde o dispositivo poderá ser testado e melhorado, para que, no futuro, chegue a utilizadoras em situação de vulnerabilidade.
Fonte: Revista Afirmativa
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