O número de turistas estrangeiros em hotéis em Moçambique mais que triplicou em cinco anos, para quase 760 mil em 2024, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que também apontam para uma queda nos hóspedes moçambicanos, informou a Lusa, nesta sexta-feira, 13 de fevereiro. De acordo com o anuário estatístico do INE relativo a 2024, recentemente concluído, os hóspedes estrangeiros nos estabelecimentos hoteleiros do País passaram de 216 297 em 2020 para 757 458 em 2024, período que abrange as alterações legais que isentaram de vistos turistas de 29 países. A província de Inhambane, no sul, considerada a mais turística do País, recebeu em 2024 um total de 170 292 turistas estrangeiros, mas esse movimento esteve concentrado na zona da capital, com 220 500 estrangeiros nos hotéis da província de Maputo, mais 179 587 na cidade de Maputo. Já o número de hóspedes moçambicanos nos hotéis do País recuou 18%, de 1336 088, em 2020, para 1097 864, em 2024, mas o INE não apresenta explicação para essa queda. O Governo lançou na quarta-feira (12) um novo portal para registro de vistos de turismo online, após suspender o pré-registro obrigatório em maio de 2025 por problemas técnicos no sistema. “Através desta plataforma, todos aqueles que pretendem visitar Moçambique podem agora fazê-lo, aplicando o pedido prévio para ter autorização para viajar para o País, obtendo o visto online”, anunciou o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga. O novo portal foi apresentado na abertura da Conferência Nacional sobre Transformação Digital, em Maputo. “Queremos, por esse meio, dar o primeiro passo para permitir que Moçambique seja de fato um destino turístico, atraente, visitado por todos, e simplificar o processo de obtenção dessa autorização”, acrescentou o ministro, ao apresentar a plataforma. A Lusa noticiou em 19 de maio de 2025 que o Serviço Nacional de Migração (Senami) suspendeu, naquela época, temporariamente, a obrigatoriedade de comunicação, com antecedência de 48 horas, para entrada em Moçambique a turistas de 29 países isentos de visto, medida inicialmente anunciada em abril. A obrigatoriedade de comunicação havia sido divulgada em comunicado emitido pelo Posto de Travessia de Mavalane, no aeroporto internacional de Maputo, em 24 de abril. O governo não esclareceu se, com a entrada em vigor do novo portal, no mesmo site, essa obrigação de pré-cadastro volta a ser aplicada ou a partir de quando. Até agora, o processo de vistos de turistas era tratado na fronteira, já em Moçambique. As receitas de Moçambique com turistas estrangeiros ultrapassaram 200 milhões de euros em 2024, com uma média anual de um milhão de visitantes estrangeiros, mas o Governo prevê chegar a 360 milhões de euros em 2029, com a contribuição do setor a aumentar para 6% do Produto Interno Bruto (PIB) Em Abril de 2025 a medida gerou preocupação imediata nos agentes de viagens, dada a ausência desta imposição desde o início da isenção de vistos para turistas destes países, incluindo Portugal, em Maio de 2023. Na mesma informação, o Serviço Moçambicano de Migração comunicava então que ficava “suspensa, com efeitos imediatos, a obrigatoriedade de comunicação prévia de 48 horas para entrada no território nacional”, que deveria ser feita através de uma plataforma eletrônica – a mesma agora atualizada – , devido a “constrangimentos técnicos verificados no sistema de registro”. Sublinhava então que “assim que as condições técnicas forem reunidas, será feita uma nova informação oficial sobre o restabelecimento da medida” de comunicação prévia da entrada no País. Moçambique introduziu em Dezembro de 2022 o Visto Electrónico (e‐Visa) e, em 1 de Maio de 2023, a isenção de vistos para cidadãos de 29 países, além de ter simplificado a concessão de vistos de investimentos para períodos mais alargados aos cidadãos estrangeiros que detenham investimento em Moçambique. As receitas de Moçambique com turistas estrangeiros ultrapassaram 200 milhões de euros em 2024, com uma média anual de um milhão de visitantes estrangeiros, mas o Governo prevê chegar a 360 milhões de euros em 2029, com a contribuição do setor aumentando para 6% do Produto Interno Bruto (PIB).
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