O setor de turismo voltou a crescer em 2025, embora revelando a desaceleração que vinha sendo sinalizada por diversas entidades. Na totalidade do ano, Portugal registou 32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas, aumentos de 3% e 2,2%, respetivamente, e que comparam com as subidas de 5,2% e 4,1% observadas no ano anterior. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) evidencia que estes números se traduziram em proveitos totais de 7,2 mil milhões de euros, significando um salto de 7,2% e proveitos de aposento de 5,5 mil milhões de euros. Foi o mercado nacional que, segundo o órgão estatístico, deu gás às dormidas, já que a dependência dos mercados externos continuou caindo ao longo do ano. “Em comparação com 2024, observou-se uma aceleração do crescimento das pernoites dos residentes (+5,4%; +2,2% em 2024) e uma desaceleração nas dos não residentes (+0,8%; +4,9% em 2024)”, destaca, ainda que as pernoites de turistas externos continuem predominando no setor, contabilizando 57 milhões de pernoites no território nacional no ano passado, enquanto aquelas realizadas por residentes chegaram a 25,1 milhões. Os dados mostram que a dependência dos mercados externos caiu para níveis de 2022, e antes era preciso recuar até 2015. No ano passado, os residentes dominaram as dormidas nas regiões Centro e Alentejo, enquanto os não residentes foram mais expressivos na Região Autónoma da Madeira e na Grande Lisboa. “Os mercados estrangeiros predominaram em todos os meses de 2025, com maior preponderância nos meses de outubro e de maio, em que representaram 74,8% e 74,4% do total das dormidas apuradas em cada mês, respectivamente. Nos meses de dezembro e agosto registaram-se as menores dependências dos mercados externos, tendo as dormidas de residentes representado 38,7% e 35,8% do total de cada mês, respectivamente”, observa o IBGE. Apesar de ter sido registrado um decréscimo de 1,5% nas pernoites do mercado britânico, esses turistas se mantiveram como o principal mercado emissor em 2025, seguido pelos mercados alemão, norte-americano e espanhol, sendo que os dois últimos inverteram as posições que haviam sido registradas em 2024. A Península de Setúbal foi a região que registrou menor dependência do principal mercado externo, seguida pelo Norte, Grande Lisboa e Região Autônoma dos Açores. Já a Grande Lisboa registrou a menor dependência dos três principais mercados, sendo seguida pela Península de Setúbal. Por sua vez, o Algarve continua a ser a região mais dependente do principal mercado externo, “que representou 35,9% das dormidas de não residentes registadas na região”, seguida pelo Centro, Madeira e Oeste e Vale do Tejo. Ao mesmo tempo, Algarve e Madeira foram as regiões com maior dependência dos três principais mercados externos. O mercado espanhol se destacou em cinco regiões: Centro, Oeste e Vale do Tejo, Alentejo, Norte e Setúbal. Já os Estados Unidos preferiram os Açores e a Grande Lisboa, enquanto a Alemanha ficou na Madeira e os britânicos preferiram o Algarve. Impulso na Páscoa, crescimento no Norte e Madeira Os alojamentos turísticos registraram mais 1,7 milhão de pernoites, com os residentes responsáveis ​​por 1,3 milhão de pernoites desse crescimento, com 445 mil caindo sobre os não residentes. O empurrão da Páscoa para fim de abril no ano passado – que este ano acontece no início do mês – contribuiu com 481,9 mil pernoites adicionais, o que levou fevereiro e março a perderem fôlego no ano e serem os únicos a perder pernoites em relação a 2024. Perderam, segundo o IBGE, 104 mil e 161,4 mil pernoites em relação ao ano anterior. Depois de abril, julho foi o que mais contribuiu para o crescimento anual, adicionando 356,2 mil pernoites, e junho acrescentou 240,5 mil. Os maiores crescimentos foram observados no Norte e na Região Autónoma da Madeira. De fato, o INE mostra que o Norte acrescentou 634,8 mil pernoites àquelas que haviam sido registradas em 2024, enquanto a Madeira adicionou 380,8 mil pernoites no ano passado. No conjunto, essas duas regiões contribuíram com 58,7% para o aumento de pernoites em 2025, com o Norte registrando 36,7% e a Madeira 22%. O ganho no Norte foi impulsionado por não residentes, enquanto os portugueses optaram pela Madeira.

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