A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que 13% do rebanho pecuário da província de Gaza, no sul de Moçambique, foi afetado pelas enchentes da atual estação chuvosa, comprometendo a produção futura. A organização alerta que o impacto pode se agravar com o avanço das chuvas, prejudicando igualmente a renda das famílias. Em relatório a que a Lusa teve acesso, a FAO diz que os danos ao gado terão consequências diretas na produção. “Há gado afetado pelas inundações, o que significa que se espera uma diminuição da produção futura, uma vez que as doenças transmitidas pela água e o estresse causado pelas inundações comprometem o processo produtivo”, lê-se no documento. Segundo a organização, Gaza lidera as perdas, com 13% do rebanho atingido. Segue-se a província de Maputo, com 7%, e Sofala, no centro do País, com 5% do total de gado afetado pelas inundações. A FAO ressaltou que esses números podem aumentar à medida que mais carcaças forem descobertas e a estação chuvosa avançar. “O impacto pode se tornar mais expressivo nos próximos meses”, alerta o relatório. As consequências não se limitam à perda imediata de animais. “A perda de bens pecuários muito provavelmente levará à redução futura de produtos como leite, ovos e filhotes. Isso afeta a renda e esgota a capacidade de recuperação das famílias”, acrescentou a organização, destacando o impacto econômico e social da situação. No setor agrícola, os distritos de Marracuene e Manhiça, na província de Maputo, registram os maiores danos, com 16% e 12% das plantações inundadas, respectivamente. Segundo a FAO, as plantações de banana foram as mais atingidas: 55% em Manhiça e 53% em Marracuene. A cana-de-açúcar também sofreu perdas significativas. O distrito de Manhiça tem 40% das plantações inundadas, enquanto em Búzi esse número subiu para 47% e em Chókwè para 41%. Em termos de área absoluta de terras agrícolas afetadas, os distritos de Chókwè, Chibuto, Limpopo e Búzi registram cada um mais de 30 mil hectares inundados. A organização estima que entre 50% e 75% da perda de renda das famílias decorre diretamente das enchentes e do transbordamento dos rios. Diante desse cenário, criadores moçambicanos defendem a implementação de um programa de repovoamento animal, após a perda de mais de 412 mil cabeças de gado nas enchentes de janeiro, alertando para o risco de fome. Fonte: Lusaa dvertisement
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