O segundo dia da primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital foi marcado por debates entre dirigentes nacionais e especialistas internacionais, que defenderam que a inovação tecnológica só será efectiva se assentar em pessoas qualificadas, instituições fortes e parcerias entre o Governo, o sector privado e a academia.
Durante um painel subordinado ao tema Capacitação e Inovação na Era Digital, Manuel Guilherme Júnior, reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) afirmou que não basta criar plataformas e estratégias: é preciso formar cidadãos capazes de usar a tecnologia para resolver problemas reais da sociedade. “O sucesso da transformação digital mede-se pela capacidade humana criada para responder às preocupações do País”, disse.
O responsável defendeu ainda que a capacitação não deve limitar-se às universidades, mas começar desde o ensino primário, através da literacia digital. “Quando os jovens chegam à universidade já devem vir preparados. Hoje, muitas crianças já dominam os instrumentos digitais melhor do que nós. O futuro será melhor com esta estratégia, porque esta geração vai responder de forma mais eficaz às exigências da era digital”, afirmou.
Já Martins Leite, reitor da Universidade Aberta ISCED (UnISCED), afirmou que, entre as competências essenciais para tornar efectiva a agenda de transformação digital, está, em primeiro lugar, a literacia digital e a gestão de dados. O académico sublinhou ainda a importância da protecção de dados, alertando que a informação pode ser usada tanto para fins positivos como negativos. “Não basta ter muitos dados. É preciso saber protegê-los. Medidas simples, como criar palavras-passe fortes, ajudam a proteger os dados do Estado e a evitar ataques de hackers”, frisou.
Martins Leite destacou também a necessidade de desenvolver competências de gestão da mudança. Para ele, o medo de inovar e o preconceito contra o novo são grandes entraves à transformação digital.
Por sua vez, Geoffrey Ronoh, director de Monitoria e Avaliação do Gabinete do Presidente da República do Quénia, referiu que a transformação digital só é bem-sucedida quando há compromisso político ao mais alto nível e forte investimento no capital humano. Durante a conferência, destacou o envolvimento do Governo moçambicano e sublinhou que, mais do que infra-estruturas e sistemas, são as pessoas que impulsionam as mudanças.
Partilhando a experiência do seu país, explicou que os avanços do Quénia resultam da articulação entre o Governo, o sector privado, a academia e os cidadãos. Defendeu ainda que o utilizador deve estar no centro das soluções digitais e que a Inteligência Artificial deve ser usada de forma equilibrada, complementando, e não substituindo, a capacidade humana.
Os intervenientes defenderam ainda que Moçambique tem condições para avançar na agenda digital, desde que invista de forma consistente em pessoas, liderança e inovação.
Texto: Ana Mangana
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