A fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, comunicou que vai avançar com despedimentos coletivos, no âmbito do regime de suspensão operacional (“care and maintenance”) a partir de 15 de março próximo, após a empresa australiana South32 ter falhado a obtenção de um novo acordo de fornecimento elétrico a preços competitivos. Em documento enviado nesta semana ao Comitê Sindical da Mozal e consultado pelo Diário Econômico, a entidade propõe indenização de 6% do salário anual por cada ano de serviço a quem ganha acima de sete salários mínimos do setor e 40 dias de salário por cada ano de serviço para os demais. A Mozal prevê ainda o pagamento de um subsídio de requalificação profissional de 110 mil meticais, a manutenção do plano do seguro de saúde por seis meses após a cessação do contrato e um bónus de desempenho, do exercício financeiro de 2026, que termina em Março, com pagamento proporcional, calculado como 100% do desempenho. Entre outras compensações, a maior indústria moçambicana garante que trabalhadores com bolsas de estudo ativas para o ano acadêmico de 2026 terão as mensalidades pagas diretamente às instituições de ensino. No caso de trabalhadoras gestantes registradas na clínica ocupacional, será pago um valor correspondente a seis meses de salário base. Para as que estão em licença-maternidade, o pagamento será proporcional até o fim do período legal da licença. A empresa também anunciou que dispensará os custos de infraestrutura associados ao Projeto Habitacional Vila Esperança, mantendo, no entanto, a responsabilidade dos trabalhadores quanto a eventuais financiamentos bancários contraídos. A South32 confirmou nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, que, apesar das tentativas do governo de superar a disputa sobre as tarifas de energia, suspenderá, em março, as atividades da Mozal. “Ela passará para o regime de manutenção e conservação em março de 2026 devido à impossibilidade de garantir um fornecimento de energia elétrica suficiente e acessível. Estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos funcionários e parceiros nessa transição”, disse Graham Kerr, diretor-executivo da South32, principal acionista da Mozal, após apresentar os resultados do grupo. Citado em declaração divulgada pela Reuters, o executivo avançou que, no ano passado, a South32 registrou uma baixa de 372 milhões de dólares em seus negócios, já que não conseguiu garantir fornecimento de energia a preços acessíveis, devido ao impacto da seca na hidrelétrica de Moçambique, acrescentando também não ter sido possível chegar a um acordo, com preços razoáveis, com a fornecedora de energia de reserva, a sul-africana Eskom. Segundo aquele diretor-executivo, em Moçambique, a mineradora emprega mais de duas mil pessoas diretamente, outras duas mil terceirizadas, e a fábrica é responsável por um terço dos empregos no setor manufatureiro do País. “O custo de manutenção, incluindo rescisão de contratos, é de cerca de US$ 60 milhões e os custos anuais contínuos de manutenção e conservação em torno de US$ 5 milhões”, lembrou ele. A Mozal emprega mais de duas mil pessoas diretamente, outras duas mil terceirizadas e é responsável por um terço dos empregos no setor manufatureiro do País Nesta semana, o governo anunciou que está fazendo todos os esforços necessários para evitar o fechamento da fundição de alumínio. A garantia foi dada pelo ministro de Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, em declarações feitas à margem de uma conferência sobre mineração e energia, realizada na Cidade do Cabo, na África do Sul. “Estamos fazendo tudo o que é requerido para que a Mozal continue em funcionamento”, afirmou o governador, sem detalhar o ponto em que estão as negociações com a empresa ou com os fornecedores de energia elétrica. A intervenção do ministro ocorreu no momento em que a South32 anunciou, em dezembro de 2025, a colocação da fundição de alumínio em regime de “care and maintenance” a partir de 15 de março de 2026, caso não fosse assegurado um novo contrato de fornecimento de energia. “Não foi garantido um novo acordo de fornecimento de energia elétrica e, portanto, a Mozal será colocada em ‘cuidado e manutenção’ por volta de 15 de março de 2026”, disse a empresa no documento enviado à mídia, acrescentando que “as matérias-primas necessárias para sustentar as operações além de março de 2026 não foram adquiridas.” No ano passado, o governo garantiu que estava acompanhando de perto a situação da empresa, após o anúncio da suspensão das atividades, devido à falta de um novo acordo de fornecimento de energia elétrica. Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, há uma equipe técnica trabalhando com a Mozal e com as entidades envolvidas para evitar impactos negativos sobre os trabalhadores, fornecedores e demais partes interessadas. “Há uma equipe que está fazendo seu trabalho com a Mozal, com as entidades envolvidas, para garantir que o futuro da empresa não seja prejudicial a nenhuma das partes”, disse Inocêncio Impissa. Sem dar detalhes sobre o estágio das negociações, o mandatário esclareceu que qualquer decisão será tornada pública no momento oportuno. “Quando o resultado estiver efetivamente concluído, será anunciado através do Conselho de Ministros ou pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que está monitorando questões substantivas com a Mozal”, explicou.
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