
No Dia da Internet Segura, que hoje se assinala, o investigador do MediaLab, Instituto Universitário de Lisboa, e membro do Iberifier explicou, no âmbito da campanha “Quem escolhe por ti?”, que não se pode isentar a responsabilidade do utilizador na escolha dos conteúdos mostrados nas redes sociais. “A escolha é partilhada, as plataformas decidem muito do que se vê, mas os utilizadores também têm uma palavra neste processo. São os comportamentos ‘online’ que dão instruções aos algoritmos sobre o que se pretende ou não ver”, explicou José Moreno à Lusa. As redes sociais têm como último objetivo a obtenção de lucro e, nesse sentido, configuram os seus ‘feeds’ de forma a maximizar o tempo de permanência dos utilizadores e, portanto, obter lucro a partir da publicidade, referiu o académico. O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, insistiu hoje na vontade do seu Executivo de proibir o acesso dos jovens com menos de 16 anos às redes sociais e dirigiu-se aos oligarcas tecnológicos e disse “tirem as vossas mãos sujas dos telemóveis dos nossos menores”. Lusa | 21:33 – 06/02/2026 “As plataformas digitais são as maiores e mais rentáveis empresas da atualidade e o seu motor é o algoritmo, que decide se fazem mais ou menos dinheiro”, afirmou José Moreno. Desta forma, “os conteúdos que apelam à emoção, indignação e exaltação prendem mais as pessoas”, levando a que os algoritmos privilegiem estes conteúdos pelas métricas de utilização das redes sociais que geram, nomeadamente, mais lucro. “Estes conteúdos acabam por ser favorecidos pelo algoritmo porque é neles que as pessoas passam mais tempo e interagem mais”, referiu o académico. A partir deste panorama, o investigador considerou que a propagação de desinformação é um “efeito colateral” do próprio funcionamento algorítmico das plataformas digitais. Novos e-mails obtidos pelo site The Verge indicam que, em 2021, Zuckerberg sugeriu que fossem realizados menos estudos sobre os efeitos nocivos das redes sociais baseando-se na abordagem da Apple. Miguel Patinha Dias | 22:36 – 06/02/2026 José Moreno destacou ainda os jovens e os idosos enquanto os grupos mais vulneráveis à manipulação algorítmica, uma vez que os mais velhos estão menos familiarizados com estas tecnologias, enquanto os mais jovens não têm capacidade de reação quando confrontados com desinformação, por exemplo. Para o investigador, a falta de literacia mediática é um dos principais fatores que contribui para a vulnerabilidade destes grupos, pelo que é necessário verificar fontes e imagens, mediante pesquisas complementares. A campanha do Iberifier tem promovido a publicação de vários vídeos explicativos nas redes sociais, visando sensibilizar e esclarecer o que são algoritmos e como funcionam. É possível aceder a alguns destes recursos através do site da Iberifier. Leia Também: TikTok: Conclusões de Bruxelas são “totalmente infundadas”
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