a d v e r t i s e m e n tO Governo do Zimbabué anunciou, na sexta-feira (6), a conclusão de um acordo para a implementação de um programa monitorado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), um passo considerado decisivo para reforçar as reformas económicas e abrir caminho ao eventual apoio financeiro da instituição, informou George Guvamatanga, secretário Permanente do Ministério das Finanças do país.
Um programa, acompanhado pelo pessoal técnico, é um acordo informal entre o país e o FMI que pode abrir caminho ao apoio financeiro do Fundo, ajudar a retomar um programa que tenha descarrilado ou permitir novo acesso à assistência de emergência. Guvamatanga confirmou que as autoridades do Zimbabué pretendem implementar um programa com a duração de dez meses, com início no próximo mês, “caso todos os processos sejam concluídos atempadamente”.
“O programa visa consolidar as actuais reformas da política fiscal e monetária”, afirmou.
O responsável esclareceu que um programa acompanhado pelo pessoal técnico não implica assistência financeira nem aprovação por parte do Conselho Executivo do FMI.
“O programa monitorizado destina-se a estabelecer um historial credível que apoie os esforços das autoridades no sentido de um novo envolvimento com o Fundo e complemente a sua estratégia mais ampla para a regularização de atrasos e a reestruturação da dívida, incluindo um eventual acesso a financiamento externo concessionário”, afirmou o chefe da missão do FMI, Wojciech Maliszewski, num comunicado.
Décadas de hiperinflação
O Zimbabué, que enfrentou décadas de hiperinflação, volatilidade cambial e dependência de mercados informais dolarizados, já teve programas acompanhados pelo pessoal técnico no passado. O último foi lançado em Maio de 2019, mas acabou por ser abandonado depois do país não ter cumprido as recomendações do credor.
O Ministério das Finanças tem apontado progressos recentes no enquadramento macroeconómico do país.
Em Janeiro, o ministério afirmou que a inflação na moeda nacional atingiu um marco no início do ano, com o crescimento anual dos preços a desacelerar para 4,1%, enquanto a inflação em dólares norte-americanos caiu para 1%, em termos homólogos.
Dados indicam que, até Dezembro de 2025, o Governo tinha acumulado 1,2 mil milhões de dólares em reservas de activos externos para sustentar a moeda Zimbabwe Gold (ZiG), introduzida em 2024 com o objectivo de restaurar a estabilidade monetária.
ZIG é a nova moeda oficial do Zimbábue introduzida em 8 de Abril de 2024 para combater a hiperinflação
Contudo, para garantir novo financiamento de parceiros internacionais, o país tem de regularizar os seus atrasos de pagamento.
Segundo um relatório do FMI, publicado em Outubro do ano passado, Harare tem vindo a acumular atrasos externos junto dos seus credores oficiais desde o início dos anos 2000, com o montante estimado em 7,4 mil milhões de dólares.
O principal credor multilateral, cujo financiamento funciona como âncora para recursos provenientes de outras fontes, como o Banco Mundial (BM), afirmou não poder conceder ao país da África Austral um programa financiado enquanto não forem regularizados os atrasos externos.
O escritório de advogados Kepler-Karst Law Firm, assessor jurídico do Zimbabué, declarou que o acordo relativo ao programa acompanhado pelo pessoal técnico foi concebido para reforçar a estabilidade macroeconómica e estabelecer um historial de reformas de políticas.
“Este acordo constitui um passo crítico no sentido da regularização dos atrasos e da resolução da dívida”, afirmou o escritório em comunicado.
Fonte: Reuters
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