O sector petrolífero angolano tem registado, nos últimos três anos, investimentos anuais superiores a 11,2 mil milhões de dólares, segundo dados avançados esta semana pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), entidade concessionária do sector, segundo informou a Lusa. De acordo com Jerónimo Paulino, presidente do conselho de administração da ANPG, o investimento médio anual, que em 2019 rondava os 6,4 mil milhões de dólares, praticamente duplicou no último triénio, ultrapassando a fasquia dos 14 mil milhões de dólares por ano. As projecções oficiais apontam para uma injecção total de 70 mil milhões de dólares no quinquénio 2026-30, com o objectivo de manter a produção acima de um milhão de barris diários até final da década. “É um desafio grande, mas que consideramos nobre e exequível em nome do país”, afirmou o dirigente. Jerónimo Paulino reconheceu que a indústria enfrenta actualmente um declínio natural da produção na ordem dos 15% a 16% ao ano, agravado pelo facto de as novas descobertas serem menores, com uma produção média entre 50 000 a 70 000 barris por dia. “Já não estamos no período de 2001 a 2004, quando a produção atingiu três milhões de barris diários”, sublinhou. Apesar disso, o presidente da Anpg garantiu que Angola “não está mal” em termos de reservas, como demonstra a prorrogação de contratos de concessão: o Bloco 15 foi estendido até 2038, enquanto o Bloco 17 tem agora vigência até 2045. A expectativa da agência é que, com novas descobertas e atribuição de mais blocos, a produção possa estender-se para além de 2050. A estratégia do Governo angolano tem sido marcada por uma postura activa na atracção de investimento e melhoria do ambiente fiscal. Em 2022, foi realizado um estudo comparativo internacional sobre os termos contratuais e fiscais de Angola, que concluiu pela necessidade de maior competitividade. Como resultado, foram introduzidos incentivos, sobretudo dirigidos aos campos maduros, o que contribuiu para o salto dos investimentos dos antigos cinco a seis mil milhões de dólares para os actuais níveis. Por seu turno, Alcides Andrade, administrador executivo da ANPG, destacou o foco na revalorização de campos maduros para garantir produção a curto prazo, ao mesmo tempo que se aposta, a médio e longo prazos, na expansão do número de concessões. Desde 2019, foram adjudicados cerca de 65 novos blocos, sendo previsível que o número ultrapasse os 70 até ao final do semestre. Já a administradora executiva Ana Miala indicou que decorrem estudos em bacias interiores localizadas nas províncias do Cuando-Cubango, Bié, Cunene e Malanje, com vista à identificação de novas áreas para licitação, incluindo nas bacias de Etosha/Okavango e Cassanje. “Depois de 2030, teremos de reinventar-nos e diversificar as fontes para manter os níveis de produção. Neste momento, estamos a explorar recursos que superam os mil milhões de barris”, concluiu.

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