advertisemen tA semana económica em Moçambique ficou marcada pela divulgação dos primeiros resultados financeiros do Fundo Soberano, pela manutenção da taxa de juro de referência do sistema bancário e por sinais de abrandamento da actividade económica no sector privado, num contexto ainda condicionado por choques climáticos e incertezas macroeconómicas. No plano da gestão financeira pública, o Banco de Moçambique (BdM) revelou que o Fundo Soberano de Moçambique (FSM) registou, em 2025, um rendimento líquido de cerca de 212 mil dólares. De acordo com as demonstrações financeiras não auditadas, o valor resultou exclusivamente de juros de depósitos bancários a prazo do tipo overnight, reflectindo uma abordagem conservadora na fase inicial de operacionalização do fundo. Os encargos associados a comissões e custos bancários foram residuais, situando-se em pouco mais de 200 dólares, o que evidencia um impacto marginal sobre os rendimentos apurados. O relatório, assinado pelo governador do BdM, Rogério Zandamela, constitui a primeira prestação de contas do FSM desde a sua criação, em 2023, com o objectivo de assegurar uma gestão prudente e intergeracional das receitas provenientes da exploração de recursos naturais, em particular do gás natural. Apesar do carácter preliminar do documento, ainda sujeito a auditoria independente, os dados divulgados oferecem uma primeira leitura sobre a estratégia adoptada, baseada na preservação do capital e na minimização de riscos numa fase considerada de consolidação institucional. No sector bancário, a Associação Moçambicana de Bancos anunciou a decisão de manter, em Fevereiro, a taxa de juro de referência para o crédito (prime rate) em 15,70%, contrariando a recente redução da taxa directora de política monetária pelo Banco de Moçambique. A manutenção da prime rate ocorre num momento em que a taxa MIMO foi cortada, pela 12.ª vez consecutiva, fixando-se em 9,25%, no âmbito do ciclo de flexibilização iniciado em Janeiro de 2024. O banco central justificou a sua decisão com a manutenção da inflação em níveis moderados, tendo esta fixado-se em 3,23% em Dezembro de 2025. Ainda assim, o BdM alertou para riscos associados às cheias em várias províncias, às tensões geopolíticas e à evolução da dívida pública interna, factores que continuam a influenciar o comportamento do sistema financeiro. Já no domínio da actividade económica, o Índice de Gestores de Compras (PMI) do Standard Bank indicou uma estagnação das condições de negócios no sector privado em Janeiro de 2026. O indicador caiu para o nível neutro de 50 pontos, abaixo dos 50,9 registados em Dezembro, sinalizando uma desaceleração após melhorias observadas no último trimestre de 2025. Fundo Soberano de Moçambique (FSM) registou, em 2025, um rendimento líquido de cerca de 212 mil dólares O abrandamento foi atribuído, sobretudo, ao crescimento mais fraco da carteira de encomendas e à redução da confiança empresarial, num contexto marcado por cheias intensas que afectaram cadeias de abastecimento, consumo e produção em várias regiões do País. Apesar disso, os níveis de produção continuaram a crescer pelo sétimo mês consecutivo, ainda que ao ritmo mais lento deste período. Analistas consideram que, embora os indicadores revelem sinais de pausa na recuperação económica, factores como a retoma gradual de grandes projectos energéticos e a normalização das condições climáticas poderão contribuir para uma recuperação mais sustentada no médio prazo. Entretanto, a semana evidencia um quadro de prudência, tanto na gestão dos recursos públicos como nas decisões do sistema financeiro, num ambiente económico ainda marcado por vulnerabilidades estruturais. Já no plano corporativo e de banca regional, o Banco BPI admitiu a intenção de vender a sua participação no BCI, após prejuízos registados em 2025 e atribuídos ao agravamento da dívida pública moçambicana. A posição foi transmitida pelo PCE do banco, João Pedro Oliveira e Costa, durante a apresentação de resultados anuais, em Lisboa, reiterando que as participações em Angola e Moçambique são consideradas “não estratégicas”, o que abre a porta à sua alienação. Em 2025, o BPI registou lucros consolidados de 512 milhões de euros, uma quebra de 13% face ao ano anterior. Enquanto a participação no Banco de Fomento Angola (BFA) contribuiu positivamente para os resultados, o BCI apresentou uma contribuição negativa de 20 milhões de euros, em contraste com 38 milhões de euros positivos no exercício anterior, sendo a exposição à dívida soberana moçambicana apontada como a principal causa desta deterioração. O BPI detém 35,67% do capital do BCI, sendo o remanescente maioritariamente controlado pela Caixa Geral de Depósitos. No final da conferência, João Pedro Oliveira e Costa referiu-se também, com consternação, à morte de um responsável do BCI, destacando o impacto humano do episódio no seio da instituição. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts