a d v e r t i s e m e n tLíderes africanos e especialistas financeiros, reunidos na Cimeira Global de Investimento em África, que teve lugar nos Emirados Árabes Unidos, afirmaram que o continente não precisa de ajuda, mas de investimentos para estimular o crescimento económico, sobretudo num momento crítico.
Na sessão denominada “Governo e o Futuro do Investimento: Uma Perspectiva Africana”, Samia Suluhu Hassan, Presidente da República Unida da Tanzânia, Benvinda Levi, primeira-ministra de Moçambique, e Akinwumi Adesina, 8.º presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), examinaram estratégias de como o continente pode desbloquear o capital privado num momento crucial da sua transformação económica.
Na sua intervenção, Adesina argumentou que o momento exige uma mudança decisiva, abandonando o desenvolvimento baseado em ajuda externa e caminhando em direcção ao crescimento impulsionado por investimentos. “Os estimados 6 biliões de dólares em minerais críticos e recursos naturais existentes no continente, devem ser convertidos em oportunidades de investimento estruturados e geradores de receita”, elucidou.
O responsável destacou que o sucesso de corporações africanas e globais que operam em todo o continente, os fortes retornos de activos de infra-estrutura e a baixa correlação de África com os mercados públicos globais posicionam África como um destino atractivo para investidores de longo prazo.
“África não é opcional; África é inevitável”, afirmou, enfatizando que a liderança do continente está alinhada no seu objectivo de ascender nas cadeias de valor e posicionar-se como uma das regiões mais atractivas do mundo para investimentos sustentáveis e de longo prazo.
Por sua vez, Samia Suluhu descreveu as estratégias que a Tanzânia implementou para atrair capital, destacando a consistência das políticas, a reforma regulatória e o investimento em infra-estrutura em larga escala, detalhando ainda que importantes projectos na área dos transportes, sobretudo ferroviário e marítimo, contribuíram para a arrecadação de mais receitas e estimularam o desenvolvimento através da ligação com países como o Burundi e República Democrática do Congo.
“Essas reformas criaram um ambiente de investimento mais previsível e atractivo”, disse o governante, observando que os projectos de investimento registados na Tanzânia aumentaram de cerca de 250 em 2018 para quase 970 actualmente, com os valores dos investimentos subindo de 3,8 mil milhões de dólares para quase 12 mil milhões de dólares.
Por sua vez, a primeira-ministra Benvinda Levi de Moçambique destacou as iniciativas relacionadas com a estruturação de investimentos de grande escala em energia e infra-estrutura, citando a retoma do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, o Rovuma LNG da ExxonMobil, as plataformas flutuantes de GNL operadas pela Eni e uma nova parceria hidroeléctrica de 5 mil milhões de dólares.
De acordo com a governante, o desafio de África não reside na falta de recursos, mas sim em superar a lacuna entre esses recursos e o capital global por meio de melhor governança, mitigação de riscos e estruturação de projectos.
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