O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, afirmou ser prioridade nacional a construção de uma barragem no distrito de Mapai, província de Gaza, a mais afectada pelas inundações de Janeiro, acrescentando que a infra-estrutura vai ajudar a reduzir os impactos das cheias no País. “O rio Limpopo não está controlado, toda a água proveniente das chuvas locais, como também dos países vizinhos, vai directa para as zonas baixas do Limpopo e de Chokwé. Nesse sentido, há necessidade de se construir uma barragem em Mapai”, descreveu o governante, citado numa publicação da Lusa. O dirigente admitiu que a albufeira não resolve cabalmente o problema das enchentes, até porque será sempre necessário abrir as comportas face à subida das águas, mas poderá, pelo menos, “reduzir o impacto das cheias naquela província”. Roberto Albino referiu também ser interesse do Governo reunir esforços para retomar projectos de construção de infra-estruturas robustas para a contenção das águas, considerando que Moçambique parou no tempo. O distrito de Mapai localiza-se a 300 quilómetros ao norte da cidade de Xai-Xai, capital provincial de Gaza, e encontra-se ainda isolada do resto dos distritos, alguns dos quais sitiados, devidos às enxurradas. Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, foram afectadas 844 mil pessoas em todo o País, com registo de 153 mortos e 254 feridos. Face à gravidade da situação, o Governo declarou o alerta vermelho nacional no dia 16 de Janeiro, sendo que, actualmente, estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 76 251 pessoas deslocadas. Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 440 842 hectares de cultivo, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, atingindo 314 780 agricultores. Estima-se também a morte de 408 115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves. Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões. O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement
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