Uma equipa de investigadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, desenvolveu actuadores têxteis através de fibras de uma liga com memória de forma (SMA) entrelaçadas num padrão em X periódico, designado geometria X-Crossing. Numa pesquisa liderada por Huapeng Zhang e Herbert Shea, os investigadores explicam que, quando contraído em 50%, um pedaço de tecido de 4,5 gramas que integra fibras SMA no padrão X-Crossing consegue levantar um quilograma de peso. O objectivo não era apenas aumentar a potência, mas fazê-lo de forma a manter a flexibilidade e a compatibilidade na utilização diária. A investigação aborda uma das principais barreiras deste sector com destaque para a dependência de componentes rígidos que reduzem o conforto e limitam a integração em peças de vestuário quotidianas. Segundo o portal Zap Aeiou, ao contrário dos tecidos tradicionais, onde as forças se dispersam, a geometria X-Crossing faz com que todas as tensões se somem ao aumentar significativamente o desempenho mecânico. “A orientação dos cruzamentos é determinante para que a força gerada não se anule”, explica Huapeng Zhang no comunicado. Esta configuração permite que o tecido estique até 160% do seu comprimento original para facilitar a sua colocação como se se tratasse de uma peça de vestuário comum. Para validar o funcionamento fora do laboratório, a equipa testou o material em vários protótipos, um dos quais consistia numa manga capaz de auxiliar a flexão do cotovelo e levantar peso de forma progressiva. Um outro protótipo testou o tecido em sistemas de compressão corporal para utilização médica e desportiva. Herbert Shea destaca que um dos aspectos mais relevantes do design é a sua eficiência energética, uma vez que o tecido consegue manter a força aplicada sem necessidade de consumo eléctrico contínuo. Este avanço abre caminho a uma nova geração de vestuário capaz de auxiliar o corpo humano de forma discreta ao integrar-se no quotidiano sem recorrer a elementos aparatosos.
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