Estas é uma das principais conclusões do estudo “Entre o ruído e os dados”, apresentado hoje pela organização Fad Juventud em Madrid por ocasião do Dia da Internet Segura (10 de fevereiro) e cujo objetivo é analisar a desinformação na rede social X, a partir de uma amostra de 1.000 publicações recolhidas entre abril e junho de 2024. O investigador responsável pela investigação, Xavier Moraño, explicou que, de cada 1.000 publicações lançadas no X, cerca de 200 contêm desinformação (18,5%), principalmente na forma de engano (60%), mas também de descontextualização e outro tipo de desinformação que pode levar a erros, como o exagero ou a piada. O tema em que se registou mais desinformação foi o da imigração, pois em cada duas publicações, uma contém desinformação, “50% é uma percentagem muito preocupante”, considerou o responsável pelo estudo. A Comissão Nacional de Eleições (CNE), com base numa sinalização feita pela ERC sobre desinformação ligada às eleições presidenciais, deliberou notificar o Ministério Público e pedir à página de Facebook Recriar.Portugal para remover conteúdo. Lusa | 16:45 – 30/01/2026 Também a justiça, a religião, os conflitos bélicos, a política, os meios de comunicação, a saúde e o género são áreas afetadas pela desinformação. De acordo com o estudo, três em cada quatro menções desinformativas têm um tom negativo destinado a gerar desconfiança ou rejeição em relação a pessoas, coletivos e instituições, visando prejudicar ou insultar. Estas publicações atacam mais políticos, jornalistas e juízes, gerando desconfiança relativamente a estas figuras e enfraquecendo a credibilidade das instituições, “o que põe em causa a própria democracia”. Ao analisar a orientação política dessa desinformação, o estudo detetou que 45% das menções desinformativas estão alinhadas com a extrema-direita, com “menções de perfis críticos em relação à imigração e ao multiculturalismo, com exaltação nacionalista e religiosa, rejeição de políticas progressistas e defesa do revisionismo histórico conservador”. Os perfis que aparecem como os principais difusores da desinformação são os criadores de conteúdo, que utilizam a polarização e o confronto como estratégias habituais, sendo que os 100 maiores difusores de desinformação são capazes de mobilizar 11 milhões de publicações num mês. O cientista computacional e inventor da World Wide Web, Sir Tim Berners-Lee, defende que a Internet deve ser descentralizada de forma a corrigir os problemas relacionados com desinformação e polarização. Miguel Patinha Dias | 11:41 – 29/01/2026 A Fad Juventud considerou que estes “resultados permitem dimensionar o fenómeno e evidenciam que o ruído não é marginal, mas sim uma presença constante integrada no debate quotidiano nas redes sociais”. A diretora-geral da Fad Juventud, Beatriz Martín, sublinhou a necessidade de criar um ambiente de convivência na rede “mais saudável, mais ético, melhor” e explicou que, para tal, é necessário exigir responsabilidades e avanços à indústria, mas também avançar no desenvolvimento da cidadania digital, da literacia digital e mediática e combater a desinformação. A análise da organização Fad Juventud, que pretende melhorar o bem-estar e a qualidade de vida dos jovens ‘online’ e promover a deteção e combate da desinformação, baseou-se numa amostra representativa de 1.000 publicações no X entre abril e junho de 2024. Leia Também: UE prepara reforço do escudo democrático no combate à desinformação

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