advertisemen tA agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) indicou nesta quarta-feira (4), no seu relatório (Estabilização do Momento Positivo), sobre as perspectivas para 2026, que os ratings dos países africanos estão no melhor nível desde a pandemia devido às reformas e crescimento desta região, que inclui a maioria dos países lusófonos. “A classificação média dos países de África atingiu o seu nível mais alto desde o final de 2020, reflectindo as recentes reformas e a melhoria do crescimento, embora o impacto total nas métricas de crédito demore algum tempo a materializar-se”, afirmaram os analistas no documento. Citado no relatório sobre os ratings dos países africanos, onde se incluem Angola, Cabo Verde e Moçambique (com rating) e Guiné-Bissau, Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe (sem rating), o analista Benjamin Young aponta que “o crescimento estável, a inflação mais baixa e as perspectivas de preços mais elevados das matérias-primas (excluindo o petróleo) e um dólar mais fraco deverão reduzir os custos de financiamento e apoiar a continuação da implementação das reformas.” No entanto, contrapõe, “a dívida estruturalmente elevada e as bases de receitas baixas e concentradas continuarão a representar riscos importantes e, com os reembolsos da dívida externa dos Governos a excederem provavelmente os 90 mil milhões de dólares este ano, as vulnerabilidades externas também aumentaram” e continuam a ser um risco. “Os persistentes défices orçamentais contribuíram significativamente para a deterioração do crédito observado nas últimas duas décadas, o que aumentou as necessidades de endividamento e financiamento de muitos países do continente, geralmente a custos elevados”, aponta-se ainda no relatório. A descida dos custos de financiamento nos mercados internacionais, devido a um dólar mais acessível, deve ajudar muitas economias este ano, diz a S&P. Ainda assim, refere que “a redução do endividamento e o aumento sustentável das actividades geradoras de receitas levarão tempo e continuarão vulneráveis às pressões decorrentes dos ciclos políticos internos e da incerteza externa”. O rácio da dívida pública face ao Produto Interno Bruto (PIB) deverá manter-se estável em 2026 face ao ano passado, em cerca de 61%, dizem ainda os analistas no documento. Os três países lusófonos analisados têm uma classificação de crédito abaixo da recomendação de investimento: Cabo Verde tem um rating de B, Angola está no nível B- e Moçambique está ainda mais abaixo, com CCC+. Entre os 27 países analisados pela S&P, apenas quatro têm uma recomendação de investimento: Marrocos, Botsuana, Maurícias e Santa Helena. Fonte: Lusa
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