O município da Matola, na província de Maputo, anunciou que vai investir cerca de 10 milhões de dólares na construção de um sistema de drenagem de águas pluviais para abranger os bairros de Mathlemele, Matibwana, Nkobe e Matola Gare, com vista a mitigar as inundações que, há vários anos, afectam milhares de famílias durante a época chuvosa.

Citado pela Agência de Informação de Moçambique, o presidente do conselho municipal da Matola, Júlio Parruque, explicou que a obra será financiada pelo Governo através do Ministério dos Transportes e Logística, com o apoio do Banco Mundial, após vários esforços do município para mobilizar recursos.

“A edilidade trabalhou muito para defender esta necessidade, a drenagem é indispensável, mas é uma obra de engenharia complexa e cara, envolvendo especialistas, arquitectos, ambientalistas e consultores”, explicou, acrescentando que “a iniciativa simboliza o compromisso das autoridades em responder a problemas estruturais que afectam a população.”

Parruque apelou à participação activa das comunidades para garantir a qualidade e a celeridade da empreitada e assegurou que será privilegiada a contratação de mão-de-obra local, incluindo jovens e mulheres das zonas abrangidas, e que as obras deverão iniciar no próximo dia 20 de Fevereiro, com o lançamento da primeira pedra, tendo uma duração estimada de oito meses.

“O sistema de drenagem terá uma extensão flexível entre oito e 12 quilómetros, partindo da bacia de Mathlemele, junto à escola local, passando por Matola Gare, até à intersecção com o sistema ferroviário, na zona do quilómetro oito. Equipas técnicas estão a mapear todas as áreas críticas e as preocupações da população serão incorporadas no processo de implementação”, clarificou.

Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, foram afectadas 844 mil pessoas em todo o País, com registo de 153 mortos e 254 feridos. Face à gravidade da situação, o Governo declarou o alerta vermelho nacional no dia 16 de Janeiro, sendo que actualmente, estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 76 251 pessoas deslocadas.

Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 440 842 hectares de cultivo, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, atingindo 314 780 agricultores. Estima-se também a morte de 408 115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.

O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.

Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.a d v e r t i s e m e n t

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts