Uma nova unidade de processamento de pescado iniciou operações em Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado, com capacidade para adquirir 314 toneladas por ano a cerca de dois mil pescadores locais. O projecto é financiado pelo consórcio Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, com um investimento de 4,5 milhões de dólares, e visa dinamizar a economia pesqueira ao longo da costa norte de Moçambique. A infra-estrutura faz parte de um programa de cadeia de valor do pescado, que inclui ainda a aquisição de camiões frigoríficos, embarcações, a construção de uma fábrica de gelo em Palma e a reabilitação de 100 barcos motorizados pertencentes a pescadores locais. Gerida pela empresa Unipesca Pemba, a unidade emprega actualmente 12 trabalhadores, prevendo atingir os 70 postos de trabalho em regime de turnos até ao final do ano. “O objectivo é dar solução a todos os pescadores e garantir que tudo está vendido. Só têm de produzir”, afirmou Mamade Sulemane, administrador da unidade. Estima-se que o projecto beneficie directamente cerca de 10 mil habitantes das zonas costeiras da província, incluindo os distritos de Palma e Quionga. A produção anual da unidade será distribuída da seguinte forma: 179 toneladas de peixe de primeira, 105 toneladas de polvo, 21 toneladas de lulas e chocos, cinco toneladas de camarão e duas toneladas de lagosta. O volume de processamento previsto é de 90 toneladas por ano, repartido por três turnos de produção, com 30 toneladas cada. Cerca de 40% da produção será destinada à exportação, 10% ao consumo local e o restante ao mercado interno nacional, indicou Mamade Sulemane. A infra-estrutura foi inaugurada no dia 29 de Janeiro pelo Presidente da República, Daniel Chapo, acompanhado pelo presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, que nesse mesmo dia relançaram oficialmente, em Afungi, o megaprojecto de gás natural liquefeito da Área 1 da bacia do Rovuma, avaliado em 20 mil milhões de dólares. Durante a cerimónia, o chefe de Estado destacou a importância estratégica da nova unidade para a região: “Como podem ver, Mocímboa da Praia é um distrito rico. Todos os distritos da província de Cabo Delgado são ricos”. Sublinhou ainda que antes da instalação da fábrica, os pescadores não dispunham de meios para conservar o pescado, sendo forçados a vender a captura no próprio dia, sob pena de apodrecimento. “Não é só essa fábrica, mas também temos uma logística composta por camiões que podem ir buscar peixe em Palma, em Quionga, em toda a nossa costa e trazer aqui para a nossa unidade”, acrescentou. Apesar dos avanços económicos, Cabo Delgado continua a enfrentar desafios de segurança. A província, rica em recursos naturais, tem sido alvo de ataques de grupos armados desde Outubro de 2017. De acordo com dados da organização Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), entre os dias 12 e 25 de Janeiro de 2026 registaram-se seis eventos violentos, resultando em pelo menos três vítimas mortais. No total, contabilizam-se 6432 mortos em mais de 2300 incidentes desde o início da insurgência, dos quais 2146 estiveram ligados a elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique.

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