A Universidade de Brasília (UnB) desenvolveu, pela primeira vez no Brasil, um motor de foguete com recurso a manufactura aditiva por impressão 3D metálica. Com um peso de cerca de três quilos, foi projectado para operar em condições extremas de pressão e temperatura, conforme anunciado pelo site do Governo brasileiro.
O desenvolvimento foi realizado no Laboratório de Propulsão Química (LPQ) da UnB e financiado pela Agência Espacial Brasileira (AEB). Inicialmente, o motor foi criado para o projecto do satélite SARA, que necessitava de um sistema de propulsão capaz de retirá-lo da órbita e redireccioná-lo para a Terra no final da missão. Embora o projecto tenha sido encerrado em 2018, as pesquisas continuaram. Os cientistas também vêem potencial para a utilização do motor em missões sub-orbitais, plataformas para experimentos em microgravidade e em tecnologias para o retorno de aparelhos à atmosfera.
A principal inovação foi a utilização da impressão 3D, que permitiu substituir um conjunto de dezenas de peças por uma única peça monolítica. Isso reduziu significativamente o tempo de produção, de meses para apenas alguns dias. A peça foi fabricada com o equipamento do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas de Manufactura e Processamento a Laser, em Joinville, Santa Catarina. O projecto, que envolve parceiros brasileiros e internacionais, é considerado estratégico para o fortalecimento das tecnologias espaciais brasileiras.
Segundo o coordenador do projecto e do laboratório, Aleksei Shynkarenko, o principal desafio foi a falta de experiência nesse tipo de produção no Brasil.
“Actuamos numa área ainda pouco explorada no país. Não havia um histórico consolidado de motores fabricados por manufactura aditiva metálica que servisse como base directa. Isso exigiu o desenvolvimento de soluções próprias para conciliar os princípios clássicos de propulsão com as particularidades do processo de fabrico e as limitações de materiais, geometria e instrumentação”, afirmou.
Os cientistas precisaram de criar as suas próprias metodologias e utilizar ligas especiais. O coordenador ressaltou que a nova tecnologia também envolveu desafios técnicos complexos, como o controlo de defeitos internos, o tratamento de superfícies críticas e a integração de sistemas de arrefecimento.
Shinkarenko destacou que o valor do trabalho vai além do motor desenvolvido. “A importância está no conhecimento acumulado ao longo do processo. Trata-se de uma tecnologia crítica (…), cujo domínio é fundamental para a autonomia tecnológica do país”, concluiu.
A pesquisa da UnB na área de propulsão híbrida teve início em 1999. O trabalho é realizado no âmbito do programa UNIESPAÇO, uma iniciativa conjunta da AEB e das universidades, lançada em 1997, com o objectivo de desenvolver tecnologias espaciais e formar recursos humanos.
Fonte: TV Brics
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