A primeira-ministra Maria Benvinda Levi afirmou esta quarta-feira (4), no Dubai, que as condições de segurança no País estão a registar melhorias, destacando a província de Cabo Delgado como exemplo de estabilização que sustenta a retoma de grandes projectos energéticos e a crescente confiança dos investidores internacionais, segundo informou a Lusa. Falando durante a sessão inaugural da Cimeira Global de Investimento em África, que decorre nos Emirados Árabes Unidos, a governante sublinhou que Moçambique está a reforçar o seu quadro regulatório com o objectivo de se tornar num destino competitivo para capitais globais de longo prazo. “As condições de segurança estão a melhorar. Os quadros regulatórios estão a ser reforçados. Os projectos estão a ser estruturados para responder às expectativas de investidores globais de longo prazo, e não à especulação de curto prazo. E o capital está a responder”, afirmou Levi, citando uma mensagem do chefe do Estado. Entre os sinais que indicam um ambiente mais estável, a primeira-ministra destacou a retoma da construção do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, na baía de Afungi. A iniciativa, suspensa desde Abril de 2021 devido à insegurança na região, retomou actividades após o levantamento da cláusula de “força maior”, motivada por melhorias no terreno. A governante referiu ainda o anúncio da ExxonMobil, em Novembro, que igualmente retirou a cláusula de “força maior” do seu projecto em Cabo Delgado, antecipando a Decisão Final de Investimento para o ano de 2026. “Estas acções não são declarações de intenção. São sinais de execução”, frisou Levi, acrescentando que Moçambique procura transformar os seus activos soberanos em carteiras de investimento estruturadas, bancáveis ​​e alinhadas com os padrões globais de transparência e retorno. A primeira-ministra destacou a retoma da construção do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, na baía de Afungi A dirigente defendeu que o continente africano continua a deter activos extraordinários – incluindo energia, infra-estruturas, terras, água, minerais e capital humano – que permanecem, no entanto, subvalorizados, pouco estruturados e insuficientemente aproveitados devido à ausência de mecanismos robustos de governação e mitigação de risco. Na sua intervenção, a primeira-ministra reiterou o posicionamento estratégico do País como destino fiável para negócios: “Moçambique está aberto aos negócios, não como uma promessa, mas como uma escolha, como uma política, como um propósito. Com a Cimeira Global de Investimento em África, redefinamos África como um destino de escala, estabilidade e retornos sustentáveis. Construamos este futuro juntos”, concluiu. Apesar dos progressos, a província de Cabo Delgado, rica em reservas de gás natural, continua sob ameaça de ataques armados. Segundo dados recentes da organização ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project), entre Outubro de 2017 e o início de 2026, registaram-se 2310 eventos violentos associados à insurgência, dos quais 2146 envolveram elementos ligados ao grupo Estado Islâmico Moçambique (EIM). O número de vítimas mortais ascende a 6432, incluindo três mortes reportadas apenas nas duas últimas semanas. No seu relatório mais recente, a ACLED destaca um ataque com morteiros lançado pelo EIM contra posições ruandesas em Macomia, sinalizando a persistência de confrontos com as forças militares do Ruanda, que mantêm presença activa em apoio ao exército moçambicano no combate aos grupos armados.

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